Internacional

Israel ataca Gaza após quebra de trégua

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Gaza - A explosão de uma bomba na fronteira da Faixa de Gaza com Israel matou um soldado israelense, feriu três militares e elevou o nível de tensão na região, que vive uma instável trégua desde o último dia 18. A explosão atingiu uma patrulha na passagem fronteiriça de Kissufim, na manhã de ontem.

O episódio detonou a reação de Israel, que empreendeu o primeiro ataque aéreo com mortos desde a trégua, há 11 dias, matando um palestino e ferindo outro gravemente.

Perto das 23h de ontem em Gaza (19h de Brasília), carros de combate israelenses tomavam a periferia de Khan Yunes, centro-sul de Gaza. O Hamas confirmou a movimentação.

Houve tiroteio, e tanques israelenses entraram em Gaza em uma área rural. Mais tarde, um jato alvejou militante de motocicleta em Khan Yunes.

O território foi cenário de uma ofensiva militar de 22 dias de Israel, com mais de 1.300 mortos e mais de 5.000 feridos. Israel declarou cessar-fogo unilateral no dia 17, seguido pelo Hamas no dia seguinte. Um cessar-fogo permanente está em negociação, mediado pelo Egito, mas ainda há pontos de discórdia -como o monitoramento das fronteiras. Nenhuma facção armada baseada em Gaza havia reivindicado a autoria do ataque até o fim da noite de ontem.

As autoridades israelenses condenaram o ataque, considerado “inaceitável”, e ameaçaram reagir com ainda mais força. O ministro da Defesa, Ehud Barak, afirmou que Israel vai responder, embora tenha se recusado a detalhar como.

A chanceler Tzipi Livni declarou que o país não precisa demonstrar comedimento contra o terror na faixa de Gaza. Tanto Barak quanto Livni são candidatos nas legislativas do próximo dia 10, para as quais o linha-dura Binyamin Netanyahu lidera as pesquisas.

Após o episódio, Israel fechou as fronteiras de Gaza com Rafah (Egito) e Erez (Israel).

Ação pontual

O Hamas afirma não acreditar que Israel retome uma ofensiva de fôlego por conta do ataque. Um porta-voz do grupo em Gaza afirmou ontem que o movimento islâmico espera uma resposta militar pontual, com o objetivo de matar um alvo qualificado seu, caso não consiga identificar a origem da investida contra seus soldados.

Em declaração divulgada pela imprensa local, líderes de grupos radicais palestinos afirmaram que “acabou a semana de trégua e não importa para nós o que aconteça no Cairo”.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, prometeu ontem assumir uma postura dura no diálogo com Israel, e anunciou que irá dizer ao enviado norte-americano George Mitchell que a recente ofensiva na Faixa de Gaza mostra as reais intenções israelenses no processo de paz.

Em sua primeira entrevista coletiva desde que Israel iniciou a ofensiva de 22 dias, em 27 de dezembro, Abbas disse também que apoia os esforços internacionais para processar Israel por crimes de guerra. Na Cidade de Gaza, o incidente elevou a tensão, sobretudo entre os estrangeiros. Moradores de Gaza, porém, minimizaram o episódio e o compararam a inúmeros outros ocorridos ao longo dos anos na área de fronteira com Israel.

Comentários

Comentários