São Paulo - Após passar mais de dois anos economizando dinheiro para realizar seu maior sonho (fazer uma série de cirurgias plásticas na barriga, seios e nádegas), a recepcionista desempregada Regiane Aparecida Bauer Lopes, 27 anos, morreu anteontem após o primeiro procedimento - uma lipoaspiração para retirar de cerca de dois litros de gordura do abdome. A lipoaspiração é hoje a cirurgia plástica mais realizada no país.
Regiane sofreu uma parada cardiorrespiratória por volta das 10h40, duas horas após o começo da cirurgia, segundo informou Paulo Sanchez, enfermeiro-chefe do Hospital e Maternidade Master Clin, onde ocorreu o procedimento. Os médicos tentaram reanimá-la: entubação, ventilação, desfribilação, injeção de adrenalina e atropina - nada adiantou. Às 11h33, ela morreu.
O hospital, que realiza cerca de 30 cirurgias plásticas por mês afirma que a paciente passara por todos os exames de rotina, estava em “perfeito estado de saúde” e que “o que houve foi uma fatalidade”.
“Não vamos deixar isso barato, essa é nossa única certeza”, disse o irmão da paciente, Reginaldo Bauer. A família, diz, já contratou um advogado e vai “pelo menos garantir o futuro do filho”. Regiane tinha um filho de oito anos. Recepcionista e secretária, estava desempregada.
Hospital
A Master Clin Hospital e Maternidade diz que não há como confirmar a causa clínica que levou à parada cardiorrespiratória e consequentemente à morte da recepcionista, ocorrida ontem durante uma lipoaspiração no abdome. “Somente após a liberação do laudo do IML (Instituto Médico Legal) é que se saberá o motivo”, afirma Paulo Sanches, enfermeiro-chefe e porta-voz do hospital.
Segundo Sanches, os médicos responsáveis pela cirurgia (Laerte Ferreira de Carvalho, cirurgião plástico, e Jayme Bulhões, cirurgião geral) “eram especialistas no que estava fazendo’’. “Agora estão viajando, para evitar o assédio, e vão aguardar o laudo do IML para se pronunciar sobre a causa da morte.” O hospital nega qualquer falha na estrutura física ou no corpo profissional e diz que dispunha de “toda a estrutura ideal para a cirurgia e para os procedimentos de emergência em caso de algum problema como o que ocorreu’’, diz Sanches.