Se o fim-de-semana foi de lamentação para alguns, pela perda de pessoas queridas, foi também motivo de muita alegria para outros, especialmente para aqueles que foram agraciados com a doação de órgãos. Em Bauru, foi registrada, ontem, a primeira captação de órgãos de 2009. Ela foi feita no Hospital de Base por médicos treinados, que vieram de São Paulo especialmente para isso.
Ontem, a morte de uma pessoa de aproximadamente 40 anos trouxe “vida” a muitas outras. Depois de passar seis dias internado, o doador teve decretada sua morte cerebral e a família consentiu que fígado, rins, ossos e córneas fossem retirados para doação.
Um avião Cesna 210 da Polícia Militar (PM) decolou por volta das 8h de ontem para buscar os médicos Thomson Palma, cirurgião hepático, e Márcio Paredes, perfusionista. Eles chegaram a Bauru por volta das 11h. Foram diretamente para o Hospital de Base, onde fizeram a captação do fígado e dos rins e retornaram para São Paulo às 15h, no mesmo avião da PM, pilotado pelo cabo Oslen Zanqueta, tendo como tripulante operacional o cabo Nivaldo Gonzales.
De acordo com Thomson Palma, no mesmo momento em que eles estavam levantando vôo, de volta para São Paulo, o paciente que iria receber o fígado já estava sendo preparado, na sala de cirurgia, pela equipe que faria o transplante. O fígado seria levado para o Hospital Oswaldo Cruz, mas não foi informado o destino dos rins. Com são dois, cada rim seria transplantado em uma pessoa diferente.
Pouco antes de decolar de volta para São Paulo, Palma fez questão de elogiar a iniciativa da família do doador para incentivar outras pessoas a fazerem o mesmo. Segundo o médico, o processo de captação está ficando cada vez mais fácil e isso também ajuda bastante.
Em setembro do ano passado, durante o lançamento de um pacote de medidas para ampliar a doação de órgãos e melhorar a gestão do sistema brasileiro de transplantes, o diretor de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Alberto Beltrame, afirmou que apenas 10% dos órgãos que poderiam ser transplantados e salvar vidas são aproveitados no País.
Segundo Beltrame, os dois principais fatores que dificultam a captação de órgãos são a subnotificação de mortes encefálicas e a negativa das famílias em autorizar retirada dos órgãos do possível doador. Somente 50% das mortes encefálicas são notificados nos hospitais brasileiros. Dentre as que são notificadas, apenas 20% das famílias concordam com o transplante.