O verde não pode faltar nas refeições da família da técnica administrativa Salete Azevedo. Mas para driblar a alta nos preços de verduras e legumes devido às chuvas excessivas dos últimos dias, ela varia o cardápio: busca produtos em ofertas e alternativas mais baratas. Isso porque o preço dos legumes aumentou entre 30% e 35%. Já as folhagens, como a rúcula e a alface, estão até 300% mais caras. “Tenho que ficar atenta ao preço e à qualidade. Algumas verduras eu pago mais caro, mas sei que vou aproveitar mais as folhas” conta.
Em uma rede de supermercados de Bauru, um maço de alface que, em outubro era vendido por R$ 0,45, hoje custa cerca de R$ 2,50. Além das verduras, os aumentos atingem alimentos essenciais na mesa do brasileiro, como tomate, batata e cebola, por exemplo. “Nessa época, a demanda aumenta e a produção diminui. Para manter o comércio, é impossível repassar todo o prejuízo. Tanto o fornecedor quanto o varejista precisam reduzir suas margens de lucro para que o consumidor sofra o menor impacto possível”, conta Nelson Kenji Sato, gerente de vendas de um produtor de verduras da região.
Nas feiras livres, a situação não é diferente. O preço das hortaliças aumentou. A produtora Eneida Muniz Carrasco, que fornece verduras e legumes para o segmento, chegou a perder 80% da produção. “Antes eu vendia um maço de alface a R$1,00, em média. Agora, estou repassando aos feirantes por até R$ 3,00”, conta. Na propriedade de Eneida, outro campeão do prejuízo foi o tomate. “Se antes uma caixa de 20 quilos custava para o feirante entre R$ 20,00 e R$ 25,00, agora pode chegar a R$ 40,00”.
Segundo o engenheiro agrônomo Renato Mitsuo Sato, a chuva abre as “portas” da hortaliça para fungos e bactérias que causam diversas doenças. O solo encharcado é outro fator que contribui para a proliferação de microorganismos que acabam “matando” as plantas. “Além disso, a beleza das folhas depende da exposição ao sol. Com o tempo nublado, elas ficam com a qualidade muito inferior”, explica Sato.
Com o aumento de preços, há consumidores que preferem não comprar os itens mais caros. “Há duas semanas paguei R$ 3,00 por uma alface e, quando cheguei em casa, joguei metade das folhas. Então, enquanto o preço não baixar, vou substituir as verduras por legumes que são mais baratos, como pepino e pimentão”, conta o aposentado José Carlos de Paula. Ele se refere a produtos cultivados em estufa, que são menos afetados pelas chuvas.
Como o reajuste é diário, tanto José Carlos quanto Salete preferem comprar produtos de hortifruti nos tradicionais “dias de sacolão” promovidos pelos supermercados da cidade, quando os preços ficam mais em conta. Mas enquanto as chuvas não cessarem, os preços vão continuar altos. “Não há como planejar a safra nessa época. Ficamos totalmente à mercê das mudanças climáticas”, avalia Eneida.
De acordo com o presidente da Associação dos Feirantes, Moisés Bastos, a Secretaria Municipal de Agricultura colocou dois engenheiros agrônomos à disposição dos produtores para dar suporte técnico. “Com essa ajuda, vamos tentar diminuir as perdas, reduzindo o custo de produção e repassando um reajuste menor ao consumidor”, informou.