ERROS DE MONTÃO
“Fomos nós que contratamos o técnico. O primeiro culpado não é o técnico e sim quem o contratou”. Foi o que disse Damião Garcia, na entrevista coletiva, logo após a derrota de 2 a 1 para a Portuguesa. Ao anunciar a demissão de Ruy Scarpino, o presidente do Noroeste também criticou os jogadores. “Infelizmente você não pode mandar 30 embora”, explicou. Eu não iria pedir logo a cabeça do treinador, para não ser chamado de coveiro ou corneteiro, pois uns e outros podiam alegar que o Campeonato Paulista está apenas no começo. Além disso, duas derrotas, uma fora de casa (para o Paulista) e outra contra um grande (Santos) não seriam nada fora do comum. Mas alertei, em dezembro, quando Scarpino foi contratado, que o treinador era “campeão de caída”, uma alusão aos rebaixamentos de Santo André, Rio Branco e Ituano, times que ele dirigiu. É claro que a intenção era a de acertar, mas a direção noroestina errou muito. Com a chegada de Márcio Alemão e Bilu, foram contratados 27 jogadores, cinco já dispensados, enquanto Alessandro Cambalhota e Viola devem ser os próximos. Não houve critério nas contratações. É aquela história de quantidade e qualidade. O elenco ainda continua inchado, com 31 jogadores. Damião acha que grande número de atletas prejudica até o trabalho do técnico. Concordo. O treinador estava mais perdido do que cego em tiroteio. Onde já se viu, com tantos meio-campistas, escalar Marcelo Santos no setor. Marcinho era a grande esperança, tanto que Fernando Garcia investiu R$ 400 mil no meia. Eu também achava. Afirmei que a melhor contratação foi Marcinho, pelo desempenho dele no Brasiliense, em alguns jogos que vi pela TV. Infelizmente, Marcinho não aprovou no Norusca até agora. Domingo, ele entrou no segundo tempo, desmotivado, talvez por ter sido sacado do time logo na estréia, e perder na sequência a vaga de titular.
GÁS
Nessa fase braba do Noroeste muita gente acha que também está faltando preparo físico. Bem, quando o time ganha, ninguém toca nesse assunto, mas na verdade, o time vem pregando no segundo tempo. Seguinte: o professor Ademir Afonso é o preparador há muitos anos, desde a Série A3, e uma das armas do Norusca sempre foi o condicionamento físico. Mas neste Paulistão, Ademir vinha dividindo tarefas com o fisicultor que veio com Scarpino. Havia até um revezamento para o banco. Agora, só com o moço de Agudos na parada, aposto que os alvirrubros voltam com gás total a partir do jogo de domingo, contra o Oeste, em Itápolis.
FURACÃO AMARELO
Mirassol e não Barueri ocupa o seleto grupo dos quatro melhores colocados do Paulistão. O Furacão Amarelo tem oito pontos, mesma soma do Barueri, mas leva vantagem no saldo de gols - está em quarto lugar, atrás só do líder Palmeiras (12 pontos), Corinthians (10) e São Caetano (nove).
DETALHES
O Santos teve falhas na derrota para o Ituano e uma delas foi desperdiçar inúmeras chances no ataque. Ao tentar justificar o fracasso em Itu, o técnico Márcio Fernandes disse que o Peixe perdeu nos detalhes.
CERTÍSSIMO
Marcelinho Carioca está absolutamente certo ao explicar que não pára de jogar enquanto o nível técnico do futebol brasileiro continuar baixo. O Pé de Anjo não fez gol na vitória de 2 a 0 do Santo André, sobre o São Paulo, mas foi um tormento para a defesa tricolor.
MERECIDO
O técnico são-paulino Muricy Ramalho estranhou a expulsão de Miranda, argumentando que não houve maldade do seu zagueiro. Vi o lance domingo à noite, na televisão, e achei merecido o cartão vermelho. Numa dividida com Osny pelo alto, Miranda - que já tinha o cartão amarelo - subiu com os cotovelos abertos e acertou o jogador do Santo André.
FACÃO
O domingo derrubou vários técnicos no futebol brasileiro, três deles de São Paulo. Noroeste, Marília e Guaratinguetá, que ainda não venceram, deram mala a Ruy Scarpino, João Martins e Argel Fucks, respectivamente. Também dançaram Givanildo de Oliveira, do Vila Nova, e Jair Pereira (Itumbiara).
NOROESTINOS
Embora preocupado com a fraca campanha até aqui, Eloil Aparecido Mendes, bauruense residente em Passos, acredita na recuperação do Noroeste. Já Sidnei Janiro, que trabalha em Ipatinga, está indignado com o desempenho do time. O noroestino roxo pede providências urgentes, deita falação na diretoria e diz que o clube tem um bando de enganadores, quebrados, gordos e incompetentes.
MEMÓRIA
Decisão do Campeonato Amador de Bauru/2002, versão LBFA: Independência 0 x 0 Santa Luzia, no estádio Horácio Cunha. O Indepa, que havia vencido o jogo de ida por 4 a 2, conquistou título inédito. Árbitro: Paulo Donizeti Rossi. Independência: Diogenes; Fabrício, Tam, Eduardo e Maínho; Marcão, Beguinha (Sabiá), André e Marcelinho; Marcelo Alves (Preto) e Fuminho (Doni). Técnico: Zebu. Santa Luzia: Preguinho; Kiko, Dicinho, Choco (Magu) e Rosemiro; Carlinhos, Flavinho, Zum (Du Loko) e Nilson; Lalo e Crone (Dadá). Técnico: Tuta Preto.
CURIOSIDADE
No mês passado, o Independência completou 45 anos de existência. É o clube mais antigo do futebol amador bauruense, depois do São Francisco, Triagem e Nacional. Mas é o que tem a maior torcida.
AQUELE ABRAÇO
Um abraço Sergio Clavero, ex-atacante do Noroeste, agora um especialista na direção de escolinhas de futebol. Ultimamente, o uruguaio de nascimento e brasileiro por adoção, tem trabalhado mais no Exterior.