Brasília - A vitória do senador José Sarney (PMDB-AP) à presidência do Senado traz de volta à cena política o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que manteve-se afastado das articulações partidárias desde que deixou a presidência da Casa Legislativa, no final de 2007.
Principal articulador da candidatura de Sarney, Renan conseguiu reunir votos favoráveis ao peemedebista acima do número inicialmente esperado pelo grupo pró-Sarney. Renan negociou a candidatura do colega de partido desde o final do ano passado, antes de Sarney lançar seu nome oficialmente na disputa.
Em um trabalho silencioso, o peemedebista procurou parlamentares, negociou votos e reuniu apoio suficiente para permitir que Sarney entrasse na corrida pela presidência - o que forçou o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) a desistir de concorrer à reeleição para o comando do Senado.
Renan fortaleceu-se politicamente depois da ampla vantagem no placar da vitória de Sarney: 49 votos para a presidência do Senado contra 32 recebidos pelo senador Tião Viana (PT-AC). Em conversas com aliados na manhã de ontem, antes da disputa, Renan previu que Sarney teria 46 votos contra 35 de Tião - três a menos do que efetivamente o peemedebista recebeu.
As articulações pró-Sarney renderam a Renan a indicação para assumir a liderança do PMDB no Senado em substituição ao senador Valdir Raupp (PMDB-RO), que deixa o cargo. Aos aliados mais próximos, Renan confidenciou que o seu retorno político representa uma “virada”, já que ele volta à cena política com destaque depois de responder por cinco processos no Conselho de Ética da Casa, em 2007, por suposta quebra de decoro parlamentar.
Na época, o senador renunciou à presidência do Senado em meio à enxurrada de processos, que tiveram início com a denúncia de que o peemedebista teria recebido recursos de uma empreiteira para pagar pensão à filha. O apoio de Renan rendeu críticas a Sarney pelo seu grupo de aliados, mas o peemedebista assumiu o cargo prometendo não privilegiar amigos nem partidos.
Sob o comando de Renan, o grupo pró-Sarney conseguiu sem alarde reunir apoios em favor do peemedebista. Nas conversas de bastidores, os caciques do PMDB conseguiram votos para Sarney mesmo dentro de partidos que oficialmente declararam apoio à candidatura de Tião.
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Relação inabalada
Brasília - O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), sinalizou ontem que a relação entre PT e PMDB se manterá inabalável, mesmo com a derrota do petista Tião Viana (AC) na disputa pela presidência do Senado com o senador José Sarney (PMDB-AP).
Segundo Berzoini, o esforço será para buscar o diálogo e a tranquilidade. “O importante é manter o diálogo tranquilo. Vamos levar com calma e reconhecer que houve uma disputa”, disse Berzoini. “(Vamos trabalhar para) restabelecer o quadro do diálogo.”
Ao ser questionado sobre a vitória do deputado Michel Temer (PMDB-SP) na eleição para presidente da Câmara, reforçando o acúmulo de forças políticas para o PMDB, Berzoini disse que a característica da legenda é ser uma força regional. “Tem de se compreender que o PMDB é um partido regionalizado”, disse ele.
A pressão do PMDB para garantir as vitórias de Sarney, no Senado, e Temer, na Câmara, rachou vários partidos da base aliada que apoia o governo - refletindo na Câmara e principalmente na candidatura de Temer. Alguns petistas, por exemplo, sinalizaram que iriam romper o acordo de apoio a Temer para votar em um de seus adversários Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Ciro Nogueira (PP-PI).