A aproximação do PT e PSDB, materializada durante a escolha dos presidentes das Comissões Permanentes da Câmara Municipal de Bauru anteontem, foi por mera ocasião, avaliam os comandantes das legendas. Dudu Ranieri, do DEM, e Gilson Rodrigues de Lima, do PSDB, afirmaram que a costura política foi apenas pontual. Interessado direto na composição circunstancial, o PT – presidido por Sandro Bussola – também considerou assim a discussão.
Na avaliação do presidente local do PT, Sandro Bussola, a política é a arte de negociar. Ele afirmou que PT e PSDB têm um projeto nacional diferente, mas que em Bauru houve uma afinidade entre eles. “Não é de hoje, aliás é desde o mandato anterior, que petistas e tucanos possuem uma afinidade dentro da Casa. Não é só de amizade, mas de relacionamento político”, disse.
Ele comentou que o acordo entre PT e PSDB que elegeu o tucano Marcelo Borges presidente da Comissão de Justiça, Legislação e Redação foi salutar e importante para a cidade. Bussóla disse ainda que não pensa em separações dentro da Casa. “Eu não olho muito para a Câmara nessa relação de situação e oposição. Porque se é enviado projeto para o bem da cidade, não tem como a oposição votar contra”, comentou.
Durante a escolha das Comissões, o vereador José Carlos Pereira Batata (PT) disse que é mais difícil negociar a tramitação dos projetos com os democratas do que com os tucanos. O presidente do partido segue a mesma linha. “Realmente é um pouco mais complicado negociar com o DEM”, afirmou.
A escolha por Borges em detrimento a José Roberto Martins Segalla (DEM) aconteceu porque houve orientação da executiva do Partido dos Trabalhadores. “Foi uma orientação partidária pelo fato de já termos uma relação de passado com o PSDB”, disse Bussola.
O presidente local do DEM, Dudu Ranieri, entende que já havia sinal verde do PT para a eleição de Borges. “Já havia essa conversa entre eles. O Marcelo (Borges) se dá muito bem com o Batata”, afirmou.
Ele apontou ainda que o acordo entre petistas e tucanos foi apenas para esse caso e que a relação do PSDB com o DEM não foi rompida. “Foi um fato isolado e não quer dizer que o PSDB vai se alinhar com o PT e com o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB)”, disse.
“Não podemos esquecer uma história e dizer que está tudo rompido daqui para frente. No ano que vem teremos novas eleições para presidente, governador, senador e deputados, e com certeza os dois partidos estarão caminhando juntos”, apontou.
Dudu analisou que as filosofias de democratas e tucanos não serão esquecidas com esse fato e que houve a composição apenas para vencer a eleição. “Não é por isso que muda o posicionamento do partido. O DEM, assim como o PSDB, é oposição ao governo”.
Já o presidente local do PSDB, Gilson Rodrigues de Lima, entende que é natural o acordo com o PT. “Fizemos esse acordo para ter a maioria e vencer a eleição para presidente da Comissão de Justiça”, revelou. Ele disse ainda que a aliança aconteceu apenas para essa disputa. “Foi pontual apenas para compor essa comissão”, comentou.
O possível distanciamento entre tucanos e democratas que teria acontecido após a não eleição de Chiara Ranieri (DEM) para a presidência da Câmara não é notado por Lima. “Se houve foi por parte do DEM, porque nós votamos na Chiara. Honramos o compromisso e nós gostaríamos apenas de ser retribuídos com a nossa eleição da Comissão de Justiça”.
No entanto, Dudu revelou que o primeiro nome dos democratas para a presidência da Casa era o de Segalla. “O Borges e o PSDB não aceitaram o nome do Segalla. Por isso surgiu o nome da Chiara”, relembrou.