A costureira Ida Kanô, 81 anos, de origem nipônica, morava há mais de três décadas nos Altos da Cidade. Ontem à tarde, Elza Carvalho Kanô, cunhada da vítima, tentava compreender o que tinha acontecido com a idosa. “Ela era uma pessoa incapaz de fazer mal para as pessoas. Era muito conhecida na colônia japonesa. Quero que o culpado seja encontrado”, diz.
Um outro familiar, que preferiu não se identificar, avalia que a costureira não tinha condições de se defender. “Ela era bem miudinha, não pesava mais do que 35 quilos. E na altura, não passava de uma criança”, descreve. Uma amiga lembrou dos dotes de Kanô. “Era uma costureira de primeira linha, da alta costura de Bauru”, conta.
Elza conta que a cunhada, mesmo com 81 anos, ainda trabalhava. Muito ativa, além de costurar, costumava ser vista por vizinhos varrendo a calçada. De acordo com Elza, até o ano passado, Kanô morava com uma irmã mais velha. Há alguns meses a irmã se mudou para São Paulo, onde faleceu.
A costureira continuou morando na mesma casa, onde além de todo o serviço doméstico, cuidava do jardim que ela deixou cheio de rosas.
Vizinhança
Atualmente, na quadra 12 da Monsenhor Claro há mais estabelecimentos comerciais que residenciais, mas os moradores da região afirmam que o local é considerado seguro. “Vi uma viatura do Samu na frente da casa dela, mas não sabia que tinha sido algo grave”, conta uma vizinha que se surpreendeu com a notícia do assassinato da costureira, o segundo deste ano em Bauru.
Enquanto a polícia permanecia no local, duas clientes da vítima se aproximaram. Ao saber do assassinato da costureira, ficaram chocadas. “Sempre vínhamos fazer encomendas para ela. O que mais pode acontecer”, lamentava uma delas.