Regional

Motoristas sofrem com a precariedade do asfalto da SP-225

Por Davi Venturino | Colaborou Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 5 min

Enquanto as empresas participantes do leilão de concessão das rodovias paulistas travam uma batalha de recursos e impugnações na Artesp, a rodovia Bauru-Ipaussu (SP-225) continua com os problemas de má conservação da pista e oferecendo riscos aos usuários do trecho.

Por melhor que seja o veículo utilizado pelo usuário, é impossível não sentir o asfalto irregular e “enrugado” que faz o automóvel tremer e coloca em risco a segurança das pessoas em alguns trechos. A SP-225 tem pista simples no trecho de Bauru a Espírito Santo do Turvo, depois passa a quatro pistas em melhores condições até Santa Cruz do Rio Pardo. Volta à pista simples de Santa Cruz até Ipaussu, onde termina na rodovia Raposo Tavares (SP-270).

A recuperação da estrada só deve ocorrer quando assumir o consórcio Invepar, vencedor do leilão de privatização em outubro do ano passado, que tem planos de instalar a sede em Bauru.

Segundo a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), o contrato deve ser assinado até fevereiro, mas a batalha de recursos impetrados pelas empresas concorrentes pode adiar a formalização do contrato. O único leilão homologado é do Corredor Raposo Tavares, que inclui a Bauru-Ipaussu.

Enquanto isso os usuários da via, principalmente moradores de municípios localizados na extensão da rodovia, vivem uma verdadeira “aventura” ao transitar pela Bauru-Ipaussu, principalmente em dia de chuva.

Segundo a dentista Alexandra Kesam, a pista está “horrível” (leia texto nesta página).

O prefeito de Piratininga, Odail Falqueiro, que também é usuário da rodovia, torce para que o problema seja resolvido o mais rápido possível.

“Eu acho que a estrada realmente merece uma atenção urgente. O governo do Estado tem feito um investimento grande na malha viária do estado, nas vicinais e a gente aguarda com ansiedade”, comenta.

Segundo ele, enquanto não são feitas as melhorias estão ocorrendo acidentes e a precariedade da pista põe em risco de vida diariamente quem precisa viajar pela SP-225. “Eu acho que o Estado tem mais é que tentar agilizar esta burocracia e há um grande interesse público que seja feita esta melhoria o mais rápido possível”, completa.

Falqueiro lembra que também está previsto, no contrato de concessão, a construção de um novo acesso à cidade. “Hoje está bem precário o acesso para entrar na rodovia”, diz. O prefeito considera o trecho Piratininga-Paulistânia o pior em toda extensão da via. “Depois melhora um pouco para o lado de Espírito Santo do Turvo”, diz.

Concessão

No edital de concessão consta a construção de marginais no trecho urbano de Bauru (do km 235 ao km 241 nos dois lados da pista. O investimento é para 2018 e 2019. As praças de pedágio vão operar com cobrança de tarifa bidirecional, isto é, a cobrança em ambos os sentidos.

Conforme previsto no programa de concessão, a SP-225 (Ipaussu-Bauru) terá um pedágio no km 257 em Piratininga que vai custar R$ 2,80. A outra praça no município de Santa Cruz do Rio Pardo no quilômetro 300, nas proximidades do acesso à rodovia Castelo Branco, vai custar R$ 3,50. Entre Santa Cruz do Rio Pardo e Ourinhos, haverá outro pedágio no quilômetro 19 da rodovia Orlando Quagliato (SP-327), próximo ao trevo de acesso à usina São Luiz ao custo de R$ 4,20.

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Usuária de rodovia diz que pista é ‘horrível’

Paulistânia - A dentista Alexandra Kesam, residente em Bauru, enfrenta o asfalto ruim da SP-255 pelo menos três vezes por semana. Ela trabalha na prefeitura de Paulistânia (48 quilômetros de Bauru) e sabe o que dirigir “perigosamente” devido à precariedade da via. Após o meio-dia, quando viaja de carro tem que ficar atenta para se desviar dos buracos e das ondulações. “A pista está horrivel”, resume Alexandra sobre a SP-225.

A situação da rodovia piora quando chove devido aos buracos, falta de acostamentos (quando têm são ruins) e o trânsito de muito caminhões devido ao período de safra. No percurso há numa usina de álcool.

A SP-225 não tem terceira pista, o que dificulta as ultrapassagens dos veículos lentos. O motorista tem que ter paciência, afinal é comum os “comboios” (fila de carros e caminhões devido a pista estreita), mas há as imprudências devido as ultrapassagens perigosas.

Segundo Alexandra, o pior trecho é o de Cabrália Paulista até Paulistânia, onde a pista está mais irregular. Ela admite que a esperança é a concessionária vencedora do leilão assumir logo o trecho para iniciar as melhorias na rodovia - um recapeamento e melhoria nos acostamentos são as medidas mais imediatas.

Suzana Barbosa Moreira, funcionária do setor de recursos humanos da Prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo, utiliza diariamente o trecho da SP-225 que vai da cidade até Ipaussu, onde mora.

O trecho também estava precário, mas o DER iniciou o recapeamento. “Antes era muito ruim, quase intransitável de tanto buraco, mas agora melhorou. Falta só o acostamento mas eles vão fazer”, comenta. Antes da privatização foi necessária uma intervenção com recursos do Estado, porque a via estava intransitável.

Enquanto a rodovia Bauru-Ipaussu não passa a concessão para a iniciativa privada, o DER continua responsável pela via.

Segundo a assessoria de imprensa do órgão de transporte do estado, o trecho da SP-225 que vai do quilômetro 297 ao 317 (Espírito Santo do Turvo a Santa Cruz do Rio Pardo) foi duplicado entre os anos 2000 e 2001.

Já o trecho entre os quilômetros 236 ao 297 (Piratininga a Espírito Santo do Turvo) passou por obras pontuais e foi mantido pelo serviço de conservação. Os dois trechos fazem parte do pacote de concessão. Um terceiro trecho, que continuará sob a responsabilidade do DER - que vai do quilômetro 318 ao 341 (Santa Cruz do Rio Pardo a Ipaussu) - está sendo recuperado pelo órgão que também vai fazer a pavimentação do acostamento. A obra está orçado em R$ 12 milhões.

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