Em 1983, em companhia do amigo Kemele Abo Arrage, conheci o Campo de Concentração (extermínio) de Dachau, no sul do Alemanha (Baviera). Este campo está intacto, com todas as suas dependências mantidas, tendo funcionado de 1933 a 1945, uma espécie de “escola” para membros da SS (tropa criada pelo Nazismo). Visitei sucessivamente este campo em 1989 (em companhia do falecido Antonio Biral) e 1991 (com o Silvio e a Ivonete Bianconcini). Este campo está conservado, inclusive com sala de cinema e filmes do campo na época, apreendidos, além de um completo museu.
No ano passado, durante viagem ao Leste da Europa, tivemos a oportunidade de conhecer Auschwitz-Birkenau, que passaremos a conhecer. Este campo foi destruído, na sua maior parte, ante a presença de tropas soviéticas, inclusive os fornos crematórios.
Criado a partir de 20 de maio de 1940, dividia-se em três: Auschwitz I, centro administrativo, ali morreram aproximadamente 70 mil intelectuais poloneses e prisioneiros de guerra soviéticos; Auschwitz II (Birkenau), onde morreram cerca de 1 milhão de judeus e 19 mil ciganos; Auschwitz III (Monowitz), campo de trabalho para a empresa IG Farben.
Fizemos 35 fotos do campo, entretanto, muitas mais significativas, como no portão de entrada, típico de todos os Campos, onde há uma frase em alemão “Arbeit macht frei” (O trabalho liberta). O local tem cercas eletrificadas, embora para evitar fugas, muitos se suicidaram atirando-se nelas.
Também registramos a entrada da sala de cirurgia, onde Joseph Mengele realizava suas experiências com prisioneiros judeus, principalmente com pares de gêmeos. Neste local a entrada está proibida, inscrita no painel. Fotografamos também a residência do primeiro diretor do campo, Rudolf Hoess (até 1943), sempre sob o comando do SS Heinrich Himmler,
Também tivemos a oportunidade de conhecer o Gheto de Varsóvia, criado por Hans Frank, governador da Polônia, em 16 de outubro de 1940. Chegou a ter 380 mil pessoas, cerca de 30% da população da cidade, ocupando apenas 2,4 % da área urbana. A maior parte dos exterminados (perto de 310 mil), foram encaminhados para o Campo de Treblinka.
A visita aos campos pode nos deixar deprimidos pela capacidade de determinadas pessoas manipularem vidas, fazendo o papel de “deuses”. Aconselhamos os leitores a assistirem filmes sobre o assunto, como a “Lista de Schindler” (Cracóvia), “Treblinka” e “Retratos da Vida”.
* Muricy é professor aposentado de geografia e história; Maria Luiza C. Domingues é professora e psicóloga.