Tribuna do Leitor

Estética e história da arte sofrerão mudanças sem Jurandyr


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É com sentimento de pesar e de tamanha tristeza que nós, artistas - peço permissão a todos quando falo no plural -, recebemos a notícia da partida desta pessoal excepcional. Jurandyr Bueno Filho não era apenas um arquiteto famoso, era “diferente entre os iguais”. E é por isso que sentiremos falta de sua pessoa e do dom que Deus lhe concedeu para trabalhar a estética e história da arte. Considero mais que uma perda, considero uma transformação para todos nós, bauruenses.

A metamorfose e os mistérios da vida estão aí para pensarmos e discutirmos, enquanto Deus nos possibilita esta graça. Há alguns anos, perdi um grande amigo que trabalhava junto a Jurandyr. Foi um momento em que minha linda vizinha Laura, que na época era pequenina. Hoje é uma moça linda que segue sua vida junto a mãe, que é dedicada e presente diante de tudo que passou. Foi nesta época que percebi o coração do nosso querido Jurandyr batendo mais forte para confortá-las. Sinto muito por elas também, porque percebi a presença de Jurandyr no momento de dor destas minhas amigas, e aos poucos ele foi reconstruindo os corações que haviam se partido pela separação que a morte causa em nossas vidas. Por outro lado, Jurandyr não era somente um grande arquiteto de obras sobre pilares e concretos, era um empreendedor da vida. Por isso tenho certeza que a estética e história da arte se modificam com esta perda.

Muitas vezes perdemos as oportunidades que Deus nos concede, de nos relacionarmos em vida com pessoas como esta. Cito também o pequeno momento que tive junto a ele e junto ao nosso querido e saudoso Mauro Rasi, que também fez de Bauru uma história do resgate de suas raízes e família. Foram momentos ímpares, onde com certeza levarei para sempre em meu coração.

E por falar em coração, não vamos culpar o coração do Jurandyr por não ter conseguido bater por mais vezes. Não, meus amigos, o coração dele continua vivo, presente em cada cantinho que notamos nas obras que realizou na nossa querida Bauru. Por que ser vereador, depois de tantos anos envolvido com o seu trabalho? Simplesmente por amor a Bauru. Não precisava de mais nada além disso, pois era considerado um dos grandes nomes da arquitetura deste País, aliado até pela Unesco, órgão que dispensa comentários.

Tomou posse, deu tempo, foi embora empossado pelos seus eleitores, muito mais do que isso, foi empossado pelos inúmeros amigos que fez diante de sua longa e bela trajetória de vida. Se fôssemos pessimistas e sem religião alguma, talvez cometeríamos o erro de dizer que “Bauru perdeu um grande homem”, mas como católico, lembrei-me de tudo que o Pai nos ensinou a respeito da morte, e veio ao meu coração algo muito importante: “Permanecerão vivos os homens que trabalharem arduamente, construções intocáveis são impossíveis de esquecer”.

Também vago neste momento de transição, porque a morte é uma transição, o nosso reencontro foi anunciado. Vamos aguardar este momento com fé e pedir a Deus que receba Jurandyr e conforte os que ficam.

Na vida eu percebi, com o meu trabalho, como professor de artes cênicas e como diretor de teatro, trabalhando a todo momento a construção dos inúmeros tipos de sentimentos, para logo após inseri-los nas idéias de um ator, que logo após apresenta-se para seu público apreciar o espetáculo. Aprendi também como educador o verdadeiro sentido da palavra “pessoa”. Esta palavra possui um significado muito importante, “a pessoa” que me refiro, somos nós enquanto seres humanos, e o que fazemos para sermos “diferentes entre os iguais”. Também perdi meu avô, João Luz Magalhães, “pessoa” que me ensinou muito o valor de ser “pessoa” nesta vida. E foi só aí que prometi a Deus se, com todos os meus pecados e defeitos e não sendo digno de ter um dom que gostaria muito de ter hoje e anos atrás quando perdia meu avô, respeitei a vontade de Deus, mas respeitosamente me prostrei de joelhos, dizendo-lhe: “Senhor, se não me permites que eu possa ressuscitar os mortos, não me impeça que eu tente pelo menos ressuscitar os vivos”.

Jurandyr Bueno Filho, obrigado por tudo, meu amigo querido, em breve nos reencontraremos nos páramos celestes. Grandes obras Jesus tem para você agora.

Homenagem póstuma de Huxley Ivens Pontes Luz de Pádua Cerqueira, dr. Laudelino Pádua Cerqueira (meu pai), Helen Maria Pontes Luz Cerqueira (minha mãe), Evelyn Pontes Luz de Pádua Cerqueira e Silva (irmã), Thales Tácito Pontes Luz de Pádua Cerqueira (irmão), Maria do Carmo Pontes Luz (avó).

E em nome de todos nós, bauruenses, peço permissão para agradecê-lo por tudo e ficarmos torcendo para que suas vontades sobre a Nações Unidas e a Praça do Líbano sejam modificadas para respeitar um de seus ideais enquanto vereador empossado.

Também estive pensando uma coisa e gostaria de passar a sugestão à egrégia Casa de Leis e aos nobres vereadores: avenida Nações Unidas Jurandyr Bueno Filho. Aumentemos o nome deste símbolo, um projeto de lei para salvaguardarmos em nossas memórias as bem-aventuranças deste filho da terra. Até breve, Jurandyr, até daqui a pouco, abraços.

Huxley Ivens – diretor da Cia. Mandrágora

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