Tribuna do Leitor

Dia Internacional da Mulher


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Pensei com meus botões em escrever algumas linhas acerca do Dia Internacional da Mulher. Contudo, fruto de algumas pesquisas, consignar que a idéia de se criar o “Dia Internacional da Mulher” surgiu em 1910, durante uma conferência internacional de mulheres, realizada em Copenhague, na Dinamarca, não iria me satisfazer. Igual forma, alinhavar argumentos - que poderiam ensejar réplica de algum historiador, ou estudioso, ou, até, de polêmica pessoa, quiçá invejosa por inúmeros motivos que muitas vezes norteiam a vida podre interior do ser humano - segundo os quais no ano de 1857 as operárias texteis de uma fábrica de Nova York entraram em greve ocupando a fábrica, para reivindicar a redução de um horário de 16 horas por dia para 10 horas, com a agravante de receberem um terço do salário dos homens, culminando em ali ficarem fechadas e em face de um incêndio irem a óbito, carbonizadas, aproximadamente 130 delas, com certeza também não me preencheria interiormente. Outrossim, trazer à baila o quadro fático de acordo com o qual em 1908 mais de 14 mil mulheres marcharam nas ruas de Nova York, pleiteando o mesmo que as operárias no ano de 1857, bem assim o direito de voto, sob o “slogan” “Pão e Rosas”, em que o pão simbolizava a estabilidade econômica e as rosas uma mulher com qualidade de vida, além do fato de que, em 1975, em assembléia geral, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu oficialmente a data, também não me pareceu satisfativo. Aliás, e aí, sim, me realizei, no diapasão do direito ao sufrágio, de bom alvitre citamos as ponderações da dra. Acyr Santinho Motta, presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina de Bauru, quando da lavra do texto intitulado “Mulher, política e cidadania” (Jornal da Cidade, pág. 2, datado de 23/2/2009), “ipsis litteris”: “Devemos ressaltar a importância de resgatarmos a história, para que principalmente as jovens percebam que todos os direitos que usufruem hoje são frutos da ousadia e cumplicidade de mulheres fortes e desbravadoras, inconformadas com o papel de submissão e incapacidade que era reservado para elas”, uma vez que bem delineia o aspecto histórico das lutas do universo feminino. Pondere-se, ainda, que a evolução no sistema jurídico penal tem acompanhado e procurado proteger aquela que é, creiam ou não, aceitem, ou não, a parte mais frágil, sendo oportuno mencionarmos o advento da lei n.º 11.340, de 7 de agosto de 2006, conhecida por Lei Maria da Penha, em homenagem à farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, vítima de um algoz que a deixou paraplégica em face das lesões que lhe produziu, fruto de disparo de arma de fogo, no ano de 1983, fato que ecoou na Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Cumpre notar que elas, mulheres, estão conosco, fazem parte de nossas vidas, abençoando, ela, a mulher, todos aqueles que vivem no meio social, e ao seu redor. São portadoras de belezas, interna e exterior, e não devem ser tratadas, tão somente, pelas curvas que possuem sob olhares de cobiça. Destarte, não devem ser tratadas, tão só, como muitos homens fazem, como objeto sexual, repositório de espermatozóides, alvo de desprezo e preconceito machista. Com efeito, nunca é demais mirarmos os nossos olhos no âmbito espiritual uma vez que o próprio Criador afirmou que quem encontrou uma esposa acha o bem e alcançou a benevolência do Senhor (PV 18:22) e uma das quatro coisas maravilhosas para Ele é “o caminho do homem com uma donzela” (PV 30:18-19). Por derradeiro, que fique bem claro que a mulher é, indubitavelmente, parte da excelência da criação divina, auxiliadora idônea, expressão maior de amor, carinho, afeto, beleza, dentre tantas outras virtudes que aqui não teriam ensejo face suas extensões. Devem, entretanto, se valorizarem - jamais se prostituindo, “lato sensu” - e não se olvidando dos parâmetros sólidos e históricos transmitidos por nossos antepassados continuarem brilhando e vivendo, intensamente, todos os dias como sendo o seu dia! Viva as mulheres!!!

Marcos Cremonesi - delegado de polícia titular da Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher de Bauru

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