Política

Mais de 2 mil se despedem de Jurandyr

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 5 min

O arquiteto e vereador Jurandyr Bueno Filho (PPS) tinha um caso de amor com Bauru e era correspondido, disse o ex-prefeito Tuga Angerami. Ontem, mais de duas mil pessoas se despediram do homem, cujas contribuições à cidade serão sempre lembradas também pelas obras concebidas por ele. Passaram pelo velório, iniciado por volta das 10h no Santuário do Sagrado Coração de Jesus, no Jardim Panorama, familiares, amigos, admiradores, autoridades nacionais e locais. Ele morreu anteontem, em São Paulo, vítima de falência múltipla dos órgãos.

Nos momentos de lucidez frente à dor da perda, em grupos, muitos dos presentes comentavam os últimos momentos que compartilharam com Jurandyr. Seu dinamismo, deslumbramento, repertório cultural e perspicácia, por exemplo, sempre estavam presentes em algum episódio relatado. Era uma pessoa que gostava de arte, do belo e do glamour, presentes também em sua despedida. Durante o velório, no meio da tarde, o coral Vocalis se apresentou, enquanto pessoas entravam em saiam do santuário.

Em seguida, houve o pronunciamento de autoridades como o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP), o presidente da Câmara Municipal de Bauru, Pastor Luiz Barbosa (PTB) e o prefeito da cidade, Rodrigo Agostinho. Antes do chefe do Executivo prestar sua última homenagem, a sobrinha do arquiteto Ana Regina Bueno Nardi contou, emocionada, a influência do tio na vida dela.

Na seqüência, o monsenhor Enedir Gonçalves Moreira conduziu as exéquias, acompanhadas por cerca de mil pessoas, segundo confirmou a Polícia Militar (PM). Na oportunidade, o monsenhor manifestou sua gratidão a Jurandyr. Foi o arquiteto quem concebeu o santuário e sonhava com a chegada dos vitrais dos artistas húngaros, cujo valor ainda está em negociação. No decorrer das honras fúnebres, a imagem da obra estrangeira foi projetada numa das paredes.

O padre Roberto Daniel, mais conhecido por Padre Beto, ressaltou que a morte não é o fim da vida, mas o término dessa existência. Que Jurandyr havia chegado à completude da felicidade humana e estava em sintonia com Deus. “Não precisamos rezar por ele, que ele reze por nós”, falou. O ritual de despedida tornou-se ainda mais emotivo em virtude do repertório do Coral Arte Viva, regido por Sonia Berriel.

Monsenhor Enedir ainda comoveu os presentes ao ler um texto de Santo Agostinho. “A morte não é nada. Apenas passei a outro mundo. Eu sou eu. Tu és tu. Redescobrirás meu coração e nele redescobrirás a ternura mais pura”, constava em trecho dele. Quando as exéquias terminaram ao som de Ave Maria, os presentes cercaram Jurandyr. Sobre ele havia uma bandeira de Bauru e outra do PPS. À sua esquerda, a do Estado de São Paulo e do Brasil. Ele saiu do Santuário sob aplausos. O cortejo seguiu para a Universidade do Sagrado Coração (USC), sua primeira grande obra.

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USC presta sua última homenagem

A Universidade do Sagrado Coração (USP) foi a primeira grande obra do arquiteto Jurandyr Bueno Filho. De forma inédita, em nome da universidade, a irmã Elvira Milani, atual reitora, lhe prestou uma homenagem. Ela o recebeu nas escadarias da USC, onde lembrou os 40 anos de dedicação do arquiteto à instituição.

“O céu recebeu um novo arquiteto com traço simples e profundos”, disse ao lembrar que o homenageado também era um bom samaritano. Um espaço nas adjacências do Bloco O da universidade terá seu nome. Durante a homenagem, Marcelo Zanlucchi cantou a Ave Maria. Por fim, um aluno do curso de música da USC, com um trompete tocou o tom fúnebre. Jurandyr deixou a universidade também sob aplausos.

Com batedores da PM, o acompanhamento de outras viaturas, inclusive uma do Corpo de Bombeiros que carregava parte das cerca de 100 coroas recebidas, o cortejo seguiu até o Parque Vitória Régia, um dos principais marcos da carreira do arquiteto. Por onde passava, chamava atenção. Algumas pessoas pelas ruas paravam em respeito. A principal reverência ocorreu no cruzamento das ruas Antônio Garcia com Benedito Pereira Rolla, onde moravam os arquitetos. Os vizinhos aguardavam na rua sua passagem.

O séquito seguiu para o Cemitério Jardim do Ypê. No local, vários amigos já o esperavam. Entre eles o ex-prefeito e ex-deputado federal Alcides Franciscato. Muito consternado, ele acompanhou o amigo, tido por ele como membro da própria família, até o jazigo que receberá um busto. Entre as últimas despedidas, em nome da Universidade de São Paulo (USP), Maria Fidela de Lima Navarro lembrou do amigo e contemporâneo, que honrou a instituição, onde ela ainda atua atualmente.

Para Fidela, com a morte, é como se Jurandyr ficasse encantado em todas as suas obras. Fez menção semelhante Amarildo Oliveira, que falou pelo PPS. Logo no início de seu discurso disse que o também vereador ali homenageado não era do PPS, mas do povo brasileiro. Que o traço de suas obras foram tão importantes e belas porque cada uma delas via o ser humano. Esse cuidado imortalizará Jurandyr Bueno, enterrado sob aplausos.

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Franciscato participa de sepultamento

Visivelmente emocionado, o empresário, ex-prefeito e ex-deputado Alcides Franciscato veio a Bauru a tempo de participar do sepultamento. Ele acompanhou nos últimos dois dias em São Paulo o drama e a luta de Jurandyr na Beneficência Portuguesa - para onde chegou a se dirigir, mas não conseguiu contato com o amigo, que já estava sedado para cirurgia.

“Tive o privilégio de encaminhá-lo no inicio de sua carreira como arquiteto e urbanista e também como homem público, lançando-o juntamente com o Edmundo Coube, para vice-prefeito de Bauru e de conviver juntamente com meus familiares e amigos com esse dínamo criativo que ele sempre foi. Hoje, infelizmente, tenho a tristeza de vê-lo partir, num momento em que estava especialmente motivado com as novas possibilidades de realizações para a cidade através de seu trabalho profissional e também como vereador estreante na Câmara Municipal”, disse.

Também lamentou a morte de Jurandyr o ex-presidente da Embraer e ex-ministro Ozires Silva. “Foi um grande bauruense e um grande brasileiro que vai fazer falta. No mínimo, temos de honrar a memória dele. Temos de encontrar mecanismos para que o exemplo dele chegue às crianças”, finaliza.

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