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Falta de gestão deixa cidade esburacada

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Basta chegar a temporada de chuvas e um antigo problema que sempre atormentou o bauruense volta à tona: os buracos. Seja em qual bairro for, com maior ou menor quantidade e tamanho, eles estão lá, atrapalhando o trânsito de pedestres e veículos e, muitas vezes, provocando até acidentes.

Realidade com a qual o munícipe teve de aprender a conviver ao longo dos anos, a precariedade das vias e a morosidade para recuperá-las só chegaram a este ponto em razão da falta de gestão das administrações anteriores, na opinião do atual titular da Secretaria Municipal de Obras, Eliseu Areco Neto.

“A prefeitura de Bauru, ficou, durante muitos anos, sem uma medida de gestão em relação à frota disponível. Não há um levantamento da quantidade de maquinário que realmente está em condições de uso, quais são os problemas que ele apresentam, a necessidade de assistência técnica. São inúmeros os problemas que não foram resolvidos anteriormente por falta de organização e planejamento”, aponta.

Sempre questionadas pelo JC, em diversas ocasiões as administrações passadas ressaltaram que o principal problema da precariedade das ruas pavimentadas e de terra da cidade se encontrava na frota de veículos. A maioria dos caminhões, adquiridos há décadas, quase que semanalmente apresentava defeitos em virtude do desgaste natural. Até hoje, a situação ainda persiste.

“Além da falta de máquinas, a prefeitura não dispõe de um grande recurso de mão-de-obra. É um problema que vem se sobrepondo há muitos anos”, pontua.

Um exemplo de que não se faz necessário um investimento astronômico para dirimir as falhas no sistema foi a iniciativa da própria gestão Tuga Angerami para sanar os constantes atrasos na coleta de lixo domiciliar. Em outubro de 2007, seis novos caminhões coletores e compactadores de lixo foram adquiridos por R$ 1.138.500,00, reduzindo o volume e o tempo de permanência dos resíduos nas calçadas.

Reparos

Na atual gestão, de acordo com Areco, em pouco mais de um mês, a Secretaria de Obras recuperou duas máquinas pá-carregadeira, três caminhões-caçamba e quatro viaturas de transporte de pessoal, o que ajudará a agilizar os serviços realizados pela pasta, como tapa-buracos. Os consertos foram viabilizados com investimento de R$ 16 mil do orçamento da pasta, que dispõe de R$ 20 milhões para investir em galerias, pavimentação durante todo o ano.

A renovação da frota, segundo ele, dependerá da possibilidade de a prefeitura estruturar também sua oficina mecânica com instrumentais mais modernos. “O sistema operacional dessas máquinas é todo eletrônico e é preciso ter garantias de manutenção com uma tecnologia à altura, para que essas máquinas estejam sempre em funcionamento”, comenta.

De acordo com o prefeito Rodrigo Agostinho, a administração irá buscar linha de financiamento junto ao Banco do Brasil ou à Caixa Econômica Federal para a compra de máquinas necessárias, como motoniveladoras, pá-carregadeiras e caminhões ‘munk’. Amanhã, em Brasília, ele participará do Encontro Nacional de Prefeitos, quando o Ministério do Planejamento irá apresentar um programa especial para a recuperação da frota dos municípios da federação. “Este programa também será uma das nossas opções, mas é certo que iremos fazer o empréstimo. Só não sabemos ainda em que condições e em qual volume”, resume o prefeito.

Questionado pela reportagem sobre o posicionamento do secretário Areco Neto, o ex-prefeito Nilson Costa preferiu não polemizar. Ele enumerou as obras de pavimentação e recapeamento realizadas com equipamento próprio durante os seis anos em que ficou à frente da prefeitura e afirmou que Bauru não precisa de planejamento adicional. “Para isso, nós já temos o Plano Diretor. O que Bauru precisa é que os recursos sejam aplicados e as obras, executadas. É muito simplista culpar as administrações anteriores para justificar as falhas existentes”, afirma.

Durante toda asexta-feira o JC também tentou entrar em contato com o penúltimo prefeito da cidade, Tuga Angerami, mas não conseguiu localizá-lo para comentar sobre o assunto.

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