Contrariando a onda de estagnação econômica provocada pela crise financeira mundial em diversos setores, o ramo imobiliário continua aquecido na região. Com uma política agressiva de desburocratização e baixas taxas de juros, a Superintendência Regional da Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru liberou R$ 13,1 milhões em financiamentos de imóveis somente no mês de janeiro. O número recorde é 30% superior ao montante contratado no mesmo período do ano passado.
Até o final do ano, o banco espera conceder pelo menos R$ 223 milhões em crédito para a habitação, o que poderá representar um crescimento de 14% em comparação a 2008. Até o momento, foram assinados na Superintendência de Bauru 270 contratos, com valor médio de R$ 48,5 mil. “Os financiamentos de maior valor, de R$ 500 mil a R$ 600 mil, são exceções, mas também são firmados”, revela o gerente regional da Caixa em Bauru, Olair Ribeiro Filho.
Além da demanda reprimida, ele avalia que a segurança da população em investir no setor, mesmo com o cenário internacional desfavorável, é o principal motivo do aumento na concessão de crédito imobiliário. “Todas as condições são favoráveis: cota de financiamento, taxa de juros, prazo para pagamento e sistema de amortização”, avalia.
Para o gerente regional, a desburocratização do processo também foi importante, pois atualmente são exigidos apenas os documentos do imóvel e de quem está comprando e vendendo para que o negócio seja fechado. “Conseguimos agilizar a finalização do negócio, estimulando o vendedor e o comprador do imóvel, sem que isso represente insegurança para o processo. Isso é muito positivo”, frisa Ribeiro Filho. Segundo ele, a política de facilidade de acesso ao crédito habitacional está alinhada às diretrizes estabelecidas pelo Governo federal e visa, sobretudo, manter o setor imobiliário aquecido e frear os níveis de desemprego que já atingiram a construção civil.
Para se ter uma idéia, entre os contratos assinados em janeiro na região de Bauru, as taxas de juros variaram de 4,5% a 13% ao ano. Elas são fixadas de acordo com a renda do tomador do crédito e da origem do recurso, que pode ser do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).
Somente na linha de financiamento que utiliza recursos do FGTS, foram liberados R$ 6,7 milhões na região, que foram aplicados em 198 moradias. Já os empréstimos com recursos das cadernetas de poupança superaram os R$ 6,4 milhões, financiando 72 unidades.
Em todo o País, a Caixa assinou 45.975 contratos no valor total de R$ 1,91 bilhão. Até o final do ano, o banco estima aplicar em torno de R$ 27 bilhões em crédito habitacional. “Não há nenhuma perspectiva de desaceleração. A intenção é continuar movimentando a economia com os financiamentos”, adianta Ribeiro Filho.
De acordo com Giasone Albuquerque Cândia, integrante do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci), aproximadamente 70% das vendas de casas e apartamentos na cidade são firmadas através de financiamentos. “O mercado continua aquecido e não deu ainda para sentir os reflexos da crise. Muitos lançamentos de prédios aqui em Bauru estão sendo feitos por intermédio de financiamento pela Caixa. As pessoas continuam procurando imóveis”, destaca.
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Casa própria
No final de janeiro, o barman Rudney Santos da Silva, 48 anos, conquistou o sonho da casa própria ao tomar emprestados R$ 15 mil que foram utilizados para quitar uma casa de dois dormitórios na Vila Dutra. O imóvel, que ainda está ocupado por inquilinos, passará por reforma antes que Silva deixe a casa dos pais.
“Quero me casar e, antes disso, precisava ter uma casa”, revela. Depois de escolher a residência e entrar em contato com a imobiliária, Silva conta que conseguiu cumprir os trâmites e assinar o contrato em um mês. O pagamento será efetuado em 20 anos.