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Evolução e Revolução: porque Darwin não estudou economia


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A teoria de Darwin faz 200 anos, consolidando-se, até hoje, como um fato científico incontestável. Desde sua elaboração a teoria da evolução das espécies sofreu todo tipo de ataques e deformações vindos principalmente da igreja, que contestava a origem do homem como mais uma espécie moldada pela evolução biológica.

O maior adversário de Darwin foi o bispo Wilberforce que procurava desconsiderar a tese da evolução do homem, dizendo que Darwin defendia que os seres humanos descendiam do macaco. Quem fez essa relação entre o homem e o macaco foi o naturalista francês Lamarck. Essa idéia vulgar a respeito da evolução do homem ainda persiste, porém não tem sustentação, já que o próprio Darwin admitia que o homem e o macaco tiveram ancestrais comuns, mas que cada espécie seguiu linhas diferentes de evolução. Com isso, Darwin não acreditava que o homem havia evoluído do macaco, mas ajudou a montar o quebra-cabeças da visível semelhança dos seres humanos com os primatas.

No entanto, outra idéia que hoje figura bastante é de que a teoria da origem das espécies possa ser aplicada à economia. O liberalismo clássico influenciado principalmente pelo naturalismo de Rosseau procurou de todas as formas afirmar que as leis de mercado eram leis “naturais” e, muitos liberais acreditam, que o desenvolvimento da sociedade se daria por uma verdadeira “seleção natural”.

Tais concepções, não resistem a mais simples reflexão. Por um lado, o modelo social fundamentado pelas relações de mercado, não se deu por evolução natural, mas sim por uma revolução social e sangrenta, onde a burguesia destitui a monarquia, implantando assim o modelo social capitalista que intencionalmente se espalhou pelo mundo, sempre seguido de convulsões sociais e nunca naturalmente.

No tocante a “seleção natural”, os princípios que segundo Darwin, levariam as espécies a este processo, se baseariam principalmente na escassez e nas intempéries do ambiente. No entanto, o desenvolvimento social reduziu drasticamente as influencias das agruras naturais sobre o homem, constituindo assim, o que Marx chamou de “corpo inorgânico” da humanidade. Por meio do corpo inorgânico o homem transformou um ambiente de escassez em abundância, criando condições de sobrevivência nas mais variadas condições climáticas, através da produção ilimitada de artigos sociais.

Alguns, porém, chegam a dizer que a crise que hoje abala a estrutura do capital é resultado da “seleção natural”, onde bancos e empresas menos aptas a adaptação do ambiente não sobreviveram as leis do mercado. Tal afirmativa é tão fictícia quanto dizer que o homem é descendente de “Adão e Eva”, mas ainda encontra eco junto à opinião comum. O capital é fruto única e exclusivamente de uma forma de organização intencionalmente planejada pelos seres humanos. A crise que atualmente põe em xeque sua credibilidade como um sistema insuperável, é originada pela apropriação particular da produção humana e não pela evolução das espécies. Até porque bancos, empresas e instituições financeiras são espécies que Darwin não conseguiu classificar.

O autor, Saulo Rodrigues de Carvalho, é professor da Rede Pública e militante do Psol

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