Zurique - Uma advogada brasileira de 26 anos foi espancada e teve boa parte do corpo retalhado por gilete na Suíça por três homens brancos e carecas que pareciam skinheads, na noite de segunda-feira.
Grávida de gêmeos, Paula Oliveira sofreu aborto na mesma noite, quando foi socorrida e internada em hospital universitário de Zurique. Ela ainda continua em repouso, mas, segundo pessoas próximas, já não corre risco de morrer. De acordo com informações do Itamaraty, Paula é funcionária do grupo controlador dinamarquês A. P. Moller - Maersk. O ataque aconteceu quando ela estava na estação de trem de Dubendorf, pequena cidade a cerca de cinco quilômetros de Zurique, onde trabalha.
A brasileira foi arrastada pelo grupo até uma área cercada por árvores e atacada pelos homens por cerca de 10 minutos.
Quando foi abordada, a advogada, que é branca, falava ao celular em português com a mãe, que mora no Brasil, o que faz aumentar a suspeita de que o grupo que a atacou é composto por simpatizantes nazistas. Algumas das marcas de gilete que atingem especialmente as pernas e barriga da advogada formam a sigla SVP, do Partido do Povo Suíço, que defende políticas anti-imigrantes consideradas, muitas vezes, racistas pela oposição.
Em eleição parlamentar de 2007, um cartaz distribuído pelo partido exibia uma ovelha negra sendo expulsa por três brancas da bandeira da Suíça com os dizeres “Por mais segurança’’. Uma das principais queixas do SVP é que imigrantes ocupam postos de trabalho.
O pai da advogada, o assessor parlamentar Paulo Oliveira, que trabalha para o deputado federal Roberto Magalhães (DEM-PE), viajou ontem para o país.