As obras do novo prédio do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, da Universidade de São Paulo (USP), o Centrinho, que estavam paralisadas desde 2000, foram finalmente retomadas ontem. Dezesseis operários da Construtora CEC Ltda, empresa que venceu a licitação para adequar o prédio e terminá-lo, iniciaram a retirada das pastilhas azuis que preenchem a fachada do edifício e que estavam se soltando.
O edifício tem 12 pavimentos, incluindo o subsolo, com capacidade para 255 leitos, e fica localizado na frente da avenida Nações Unidas. No total, serão removidos 1.750 metros das pastilhas de cerâmicas. De acordo com o coordenador da obra, engenheiro João Baptista Moura, a previsão é terminar o serviço em, aproximadamente, 30 dias. No lugar das pastilhas, a obra ganhará textura (monocapa) na fachada. “Nossa equipe também já começou a remover os azulejos soltos do sétimo e oitavo andar da obra”, afirma Moura. As três caixa d´água do prédio também foram limpas e passam por hipermeabilização. De acordo com Moura, até o fim deste mês o canteiro de obra deve ter 40 trabalhadores, ao todo. A placa da empresa responsável pela obra foi instalada ontem à tarde no canteiro. Desde dezembro, funcionários da construtora trabalhavam no local, mas, primeiramente, construindo alojamento e estrutura necessária para tocar a obra.
O projeto do novo hospital do Centrinho, que ficou conhecido por “predião”, é de 1985 e leva a assinatura do arquiteto Jurandyr Bueno Filho, que morreu no último dia 6. A pedra fundamental do hospital, no entanto, foi lançada em 1989. Porém, as obras paralisaram por duas vezes (em 1992 e em 2000) por falta de verbas. O governo do Estado de São Paulo vai investir R$ 21 milhões na adequação da obra, incluindo instalações elétricas e hidráulicas, e a conclusão. A previsão inicial é inaugurar o prédio no final deste ano e já em dezembro iniciar os atendimentos ambulatoriais e as internações (clínicas e cirúrgicas). Entre fevereiro e março de 2010, devem entrar em funcionamento os centros de diagnóstico e o número de internações passará de 30% para 50% da capacidade total.
Em junho do mesmo ano, entrará em atividade o programa das cardiopatias congênitas infantis com atendimentos clínicos e cirúrgicos. O funcionamento pleno do novo hospital do Centrinho está previsto para dezembro de 2010.
Quando estiver pronto, o complexo terá capacidade para 255 leitos, sendo 130 de internação, 30 unidades semi-intensivas para sindrômicos, 30 unidades semi-intensivas para cardiopatias congênitas infantis, 20 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) infantil, dez leitos de UTI para adultos, 30 unidades de pré e pós-operatório e cinco unidades de isolamento. Contará, ainda, com oito salas cirúrgicas para alta complexidade, 62 consultórios para diagnóstico e internação, 140 consultórios para atendimento ambulatorial e dois centros de diagnóstico por imagem. Além disso, o término das obras possibilitará a realização de até 800 consultas por dia, 500 atendimentos ambulatoriais nas áreas de odontologia, audiologia, educação e profissionalização, 8 mil cirurgias e 12 mil pacientes internados por ano.
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Centrinho hoje
Atualmente, com 91 leitos dedicados integralmente ao Sistema Único de Saúde (SUS), o centrinho atende, em média, 250 pessoas por dia nas salas ambulatoriais, somando casos de fissuras labiopalatinas e de deficiências auditivas. Por mês, o Centrinho recebe, em média, 15 pedidos de encaminhamentos de urgência de crianças com anomalias craniofaciais. A UTI de seis leitos tem taxa de ocupação que chega a 100%.