Pesca & Lazer

História de Pescador: Pesca ligeira


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O meu amigo Alcir me contou que, quando moleque, morava com os pais numa propriedade rural, na beira de um riacho que naquela época era chamado simplesmente de “corguinho”, e nesse corguinho dava muito peixe, só que tinha de ter muito cuidado porque haviam ali muitos poços fundos, muitas corredeiras perigosas, além de muito bicho, inclusive onças e cobras venenosas em suas margens.

O Alcir, como todo moleque daquela época, era muito ativo e muito esperto, inclusive para enganar sua própria mãe e ir pegar uns peixes de vez em quando, meio escondido. Me contou ele que, um belo dia, depois de uma boa chuva, armou uma rede no corguinho, logo pela manhã, com a intenção de corrê-la logo à tardinha, mas não é que a chuva voltou e ficou intermitente? Chovia e parava, chovia e parava e o Alcir ali fazendo planos de como resgatar a bendita rede, mesmo porque estava com uma gripe e uma tosse de cachorro e sua mãe não o deixaria sair na chuva de jeito nenhum.

Mas moleque é moleque e o Alcir ficou esperando um vacilo da mãe e vupt: pulou em cima do cavalo por nome de Corisco, que corria mais que um raio, e desceu pro corguinho. Começou recolher a rede depressa, porque a chuva já se aproximava novamente. Quando percebeu que não daria tempo de tirar os peixes, jogou tudo em dois sacos de estopa, amarrou as bocas, jogou na garupa do Corisco, pulou em cima do animal, riscou sua barriga com o calcanhar e, vupt, saíram que nem raio morro acima.

E a chuva desceu, mas o cavalo corria tanto que a chuva não os alcançava. Chegaram no terreiro da casa, o Alcir pulou do lombo do bicho, já com os sacos de estopa nas mãos e já caiu dentro da sala, deu uma suspirada e, aliviado, foi contar os peixes: tinha pego 14 corimbas mais ou menos de 2 quilos cada um e, o melhor da história, sua mãe não percebeu a sua ausência.

Segundo ele, o bom disso tudo é que as corimbas já estavam todas sem as escamas porque no sacolejar do Corisco elas foram descamadas pelos sacos de estopa.

Ivo de Jesus Ribeiro é pescador e contador de histórias.

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