Regional

Para candidato, a cassação foi ‘armação política’ dos opositores

Carlos Demarchi e Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 4 min

Iagaraçu do Tietê - O candidato a prefeito de Igaraçu do Tietê (71 quilômetros de Bauru) Guilherme Fernandes (PSDB) reuniu ontem à tarde a imprensa para apresentar um dossiê que alega suposta “armação política” que levou a cassação do seu registro como candidato a prefeito. Ele estava junto com o companheiro de chapa, o candidato a vice Juvenal Fernandes de Mello (DEM). Foi a primeira manifestação pública do tucano após o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) marcar nova eleição no município para 29 de março.

O registro dos dois foi cassado pela Justiça Eleitoral de Barra Bonita sob acusação de suposta compra de voto, depois de representação do candidato adversário derrotado no pleito de 5 de outubro do ano passado, Wamberto Picolli (PSB). Fernandes e Mello não podem se candidatar para a nova eleição.

A Justiça Eleitoral de Barra Bonita impediu a diplomação e a posse dos impugnados. Como a votação dos eleitos foi superior a 50% dos votos válidos, o segundo mais votado não assumiu a prefeitura e, provisoriamente, quem administra a cidade é o presidente da Câmara, Carlos Augusto Gatti, parente do tucano.

Apesar da suspensão do registro, o recurso de Guilherme Fernandes contra a sentença de primeira instância ainda não foi julgado pelo tribunal e, caso seja desfavorável, a ação pode parar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de Brasília.

Para Guilherme Fernandes, a sua cassação foi uma “armação política e teatral” com participação de testemunhas manipuladas pela oposição, que teria induzido a Justiça Eleitoral a erro.

“Sem dúvida foi injusto. Houve uma armação contra a gente e de forma nenhuma houve irregularidades. As pessoas disseram que foram iludidas. Nunca vi essas pessoas, que são ligadas ao partido adversário. Foi armação para sujar a minha imagem”, disse.

Ele divulgou um documento que aponta que a principal testemunha que o incriminou no processo eleitoral, Viviane Cristina Martins teria “mentido em juízo”. Quando prestou depoimento, ela disse que foi à farmácia Fórmula buscar medicamento profilan, do qual teria sido prometido pelo candidato tucano à mãe dela. O estabelecimento é da filha do candidato tucano.

Nesse dia, Viviane estava acompanhada do irmão Luis Fernando Martins, que filmou a entrega do medicamento e serviu de prova no processo. Guilherme alega que a mãe da testemunha (Luiza Maria Carvalho Martins) e o irmão dela são eleitores em Barra Bonita. Diante disso, ele questiona como poderia prometer a uma eleitora de outro município algum benefício em troca de voto.

O candidato diz no documento que o JC teve acesso que a testemunha é filiada ao PDT e alegou que não tinha filiação partidária, o que “não é verdade”. Fernandes acusa ainda que a filmadora usada no flagrante foi emprestada por Marcelo Maganha, ligado ao candidato de oposição e presidente da comissão provisória do PDT de Barra Bonita (cidade encostada a Igaraçu do Tietê).

Guilherme Fernandes também reclama que o juiz Marcus Vinicius Bachiega considerou como prova essencial o depoimento de testemunhas que teriam recebido dinheiro ou promessa de benefício em troca de voto. Segundo ele, a única prova concreta é a existência de um “santinho”, apreendido numa operação do Ministério Público.

O candidato tucano alega ainda que quatro testemunhas levadas a prestar depoimento no processo de compra de voto foram encaminhadas pelo advogado Glauber Guilherme Belarmino, autor da representação contra o tucano.

Fernandes também acusa Marcelo Maganha, dirigente do PDT, de ter “aliciado” as testemunhas para dar os depoimentos contra a chapa que foi a mais votada na eleição.

O candidato a vice Juvenal Fernandes de Mello afirmou que documentos estão sendo juntados e os advogados analisam a resolução do TRE para que ele e Guilherme possam ser candidatos. Ficamos com as mãos amarradas devido à nova eleição ser marcada antes de terminar o julgamento. O que magoa é ganhar a eleição com diferença de quase três mil votos e não poder assumir e depois as provas mostrarem que tínhamos razão”, relata. O tucano diz ter confiança em reverter a situação e, se continuar impedido de concorrer na eleição de 29 de março, a coligação lança outro nome.

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Adversário diz que processo tem prova consistente

O candidato derrotado da eleição de Igaraçu do Tietê Wamberto Picolli disse ontem à noite que o processo que cassou o registro da candidatura de Guilherme Fernandes (PSDB) tem provas consistentes. Ele pertence à coligação que fez a denúncia e apresentou as testemunhas, gravações e filmagens da compra de voto.

“Eles ficam posando de coitadinhos, mas têm histórico de cooptar as pessoas”, disse Wamberto, o segundo candidato a prefeito mais votado no pleito municipal do ano passado. Picolli afirmou que, após a denúncia contra a chapa mais votada da eleição no ano passado, houve coação de testemunhas, relatada no parecer da Procuradoria Eleitoral de Justiça. “Até as testemunhas de defesa que (eles) levaram para depor confirmaram as denúncias de compra de voto. Não conseguiram nem orientá-las”, disse Picolli.

Sobre o depoimento de ontem de Guilherme Fernandes acusando “armação política” da chapa adversária, segundo Picolli, é “choradeira de quem não aceita a cassação da Justiça”. “No processo há prova testemunhal, pericial, material e dos rumores de que a compra de voto houve na eleição. As testemunhas revelaram na frente de juiz e do promotor. É muito estranho assinar documento desmentido o que falou”, finalizou Picolli.

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