Tribuna do Leitor

SOS - A dengue está chegando - vamos previnir


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Todo final de ano, quando o verão e as suas fortes chuvas passam a dominar o cenário, um mesmo filme se repete nas grandes e pequenas cidades brasileiras. Apesar dos concentrados, porém ainda insuficientes esforços dos governantes (o número de casos da doença no Estado de São Paulo diminuiu 93,3% entre 2007 e 2008), e da conscientização de uma pequena parcela da população, a dengue e o famigerado mosquito assombroso voltam a ilustrar as páginas dos jornais (inclusive este nosso “Jornal da Cidade”) e as telas dos noticiários nacionais e internacionais.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, a região Sudeste, em comparação com 2007, teve um acréscimo de 19,82% no número de casos registrados da doença: 186% no Espírito Santo e 214% no Rio de Janeiro. Em 2008, foram registrados, até novembro, 230.829 casos suspeitos de dengue no País, com uma diminuição de 11% ante o mesmo período de 2007. Os números de dezembro ainda não foram contabilizados pelo ministério. Setenta e sete pessoas morreram em decorrência da doença, uma taxa de letalidade 7,2% maior que a de 2007.

Entre janeiro e novembro do ano passado, houve aumento de casos na região Norte (49,34%), Nordeste (30,54%) e Sudeste (19,82%) e redução nas regiões Sul (72,6%) e Centro-Oeste (71,72%). Os Estados que apresentaram maior crescimento no número de casos foram o Rio de Janeiro (214%) e o Ceará (205%). São indicadores que ainda preocupam e nos obrigam a refletir melhor sobre o seu real significado. A prevenção aos males provocados por esse minúsculo, mas potente mosquito, já foi questão debatida por diversos educadores, médicos, sanitaristas, ecologistas, governantes e sociedade civil.

Todos eles, sem exceção, sabem que a única maneira para erradicar 100% os males da doença passa pela via da informação, prevenção e, acima de tudo, pela educação - que não se restringe tão somente ao banco escolar, nas aulas didáticas e práticas dentro das salas de aulas, mas também ao exercício da cidadania. Segundo especialistas na área da saúde, é possível afirmar que a dengue é um resultado da urbanização desordenada, como é freqüente nos países em desenvolvimento. Além desse desatino urbanístico, o forte apelo ao consumismo - gerando toneladas de lixo - também contribui para a ampliação da doença, entre outros fatores...

Pesquisa do Programa Municipal de Vigilância e Controle da Dengue, divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, de 7 de janeiro de 2009 (página CI), informa que 80% dos criadouros estão nos quintais das casas, ou seja, estão sob os nossos olhos. Com o calor, as fortes chuvas aparecem e, com a acumulação de lixo, propagam novos criadouros.

Portanto, já passou da hora de todos refletirmos e pensarmos numa mudança de ação, de atitude. Uma sociedade mais conscientizada, menos consumista, poderá nos livrar dos males da doença.

Claro que não podemos deixar de cobrar e fiscalizar a ação dos governantes que precisam manter seus serviços essenciais de saneamento: acabar com todo o esgoto a céu aberto, canalizar córregos, manter as ruas e avenidas limpas, conservar praças públicas, etc... Já o cidadão “comum” precisa, a qualquer custo, acumular menos lixo e reciclar mais. Necessário se faz evitar, a qualquer custo, a armazenagem de garrafas e pneus velhos, vasos de plantas com água, reservatórios de águas destampados, ralos ou qualquer outra situação que provoque o acúmulo de água parada.

Só a parceria entre governo e cidadão poderá erradicar a doença em Piratininga, Bauru e no Estado de São Paulo e, quiçá, no nosso País. Todos os órgãos públicos municipais, estaduais e federais devem se unir na elaboração e divulgação de um programa de combate à dengue, combinando fiscalização e orientação à população de forma contínua e permanente...

João Álvares - delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado de São Paulo - Piratininga

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