A entrevista coletiva com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada na última quarta-feira no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), será publicada nos 14 associados da APJ no Interior do Estado, e simultaneamente, nos 75 jornais vinculados a ADI, no próximo domingo. Em conversa amistosa, serena e com intervenções de bom humor com os quatro jornalistas credenciados para a coletiva, Luiz Inácio Lula da Silva abordou o episódio em que criticou o comportamento da imprensa, durante o Encontro Nacional de prefeitos e prefeitas eleitas, realizado no dia anterior também em Brasília (DF).
Ao discursar para uma platéia de 3.000 prefeitos, na terça-feira, Lula disse que alguns ainda pensam que podem tratar as pessoas como marionetes e que estava “muito triste” porque um jornal tratou os prefeitos recém-eleitos como criminosos. O presidente referiu-se às publicações que classificaram de “pacote de bondades” a renegociação da dívida das prefeituras com o INSS por 240 meses.
“Sabe porque eu fiquei chateado ontem, porque eu gosto de falar de público quando de vez em quando fico chateado. Saiu uma matéria no jornal O Globo desrespeitosa, primeiro dizendo que eu ia soltar um pacote de bondades e depois no mesmo dia com quatro cartas de leitor criticando, em tempo real, e questionando como o presidente vai dar dinheiro para prefeito ladrão. A boa lógica não recomenda chamar alguém de ladrão quando não se tem prova. Segundo, tem 5.000 prefeitos neste país recém-eleitos e como pode dizer uma sandice dessa que são ladrões porque vão ter oportunidade de resolver a dívida com o INSS”, contou.
Na avaliação de Lula, a publicação pegou uma carta para justificar o que o veículo queria e “não tinha coragem de dizer”. “É parecido com o cara que disse que eu havia bebido. Nunca tomou um copo de água comigo e nunca foi em um lugar onde eu fui. Como pode dizer isso. Por isso eu desabafei ontem, porque esses prefeitos merecem respeito e não podem ser chamados de ladrão. Jamais pedirei a um companheiro da imprensa para fazer matéria favorável a quem quer que seja. A única coisa que eu quero é justiça. Eu fiz bobagem, diga, mas eu fiz a coisa certa, diga”, avaliou.
Lula também contou que vem fazendo tratamento contra tendinite na mão esquerda há algum tempo. O presidente já sofre de burcite no braço. O tratamento foi recomendado pela via da acupuntura, com uso de uma tala na mão para reduzir o movimento dos tendões da mão esquerda, como na entrevista coletiva de ontem.
O presidente Lula também costuma tomar café em uma xícara bem menor que as servidas aos convidados. “Eu tomo muito café muitas vezes ao diz e o médico recomendou reduzir porque assim tomo menos”. O petista também costuma associar o gosto pelo café ao hábito de fumar uma cigarrilha, da Café creme. Ao chegar na sala, por volta das 9h15, o presidente comentou com o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, que a “cadeira está mais alta que o normal, alguém mexeu de novo aqui”. Rindo, Lula disse que “esta história de mexer em cadeira dá problema”, lembrando o episódio em que Fernando Henrique Cardoso, na disputa pela prefeitura de São Paulo, sentou na cadeira antes e perdeu a eleição.
O presidente concedeu a entrevista em uma sala anexa ao seu gabinete, em mesa de madeira, com sistema de intercomunicação com suporte de comunicação, responsável pelo registro de áudio. Ao fundo de Lula, um quadro no formato de mapa mundial, em tom azul, ilustra as sedes onde existem escritórios da Embrapa em diferentes países e no território nacional.