Caracas - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, denunciou um novo complô contra o governo, a poucos dias de um referendo que pode abrir caminho para sua reeleição. A denúncia, porém, foi recebida com ceticismo por muitos eleitores.
“Continuam detidos alguns militares da ativa que estavam se comunicando com um militar foragido nos EUA e enviando mensagens de uma chamada “operação independência’”, afirmou Chávez, em entrevista a um canal de televisão pública.
Segundo o presidente, os inimigos estão “tentando se infiltrar no Palácio presidencial de Miraflores, mandando mensagens a unidades militares que estão escondidas em alguns Estados onde governa a oposição”.
Chávez, que tentou um golpe em 1992, quando era coronel do Exército, e chegou a sofrer um outro em 2002, quando já era presidente, denuncia frequentemente em épocas eleitorais supostos complôs para derrubá-lo, mas sem apresentar muitas provas. Invariavelmente, na versão de Chávez, esses complôs são dirigidos pelos Estados Unidos e apoiados pela oposição.
Uma emenda constitucional a ser votada neste domingo em referendo, pode eliminar o limite de dois mandatos consecutivos para ocupantes de cargos majoritários. Sem isso, Chávez terá de deixar o poder em 2013, embora afirme que precisa de pelo menos mais dez anos para consolidar a sua “revolução socialista”.
As pesquisas dizem que, sendo ou não verdade, as acusações podem inflamar o eleitorado chavista, ainda que muitos venezuelanos vejam nelas uma manobra política.
Estudantes na oposição
Após anos de derrotas na maioria das batalhas contra o presidente Hugo Chávez, os partidos de oposição na Venezuela deixaram ativistas estudantis liderarem a campanha para evitar que o líder socialista estenda seu mandato.
A oposição dividida espera que a energia renovada do movimento estudantil inexperiente, mas popular, surgido dois anos atrás, consiga superar a ligeira liderança de Chávez apontada pelas pesquisas.