Polícia

Quadrilha vendia droga do Paraguai

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Os 170 quilos de drogas apreendidos anteontem com a maior quadrilha de traficantes de Bauru vieram do Paraguai. A relação com o país vizinho consta em anotações analisadas pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise). Maconha, cocaína e crack chegariam de lá para abastecer o sucessor de um dos maiores traficantes que a cidade já teve.

Ligado ao crime organizado, ele está preso. João Vítor de Souza Urias, 24 anos, (apontado pela polícia como “cabeça” do grupo preso anteontem) seria “seu menino” ou discípulo. Segundo o titular da Dise, Francisco Bromati Filho, Urias só vendia grandes quantidades de droga. Estava para comercializar, por exemplo, 50 quilos de entorpecente, mas o negócio foi frustrado por conta do flagrante, informa.

Considerado “patrão”, uma das mais altas hierarquias no tráfico, ele é apontado como responsável pelo laboratório encontrado anteontem, utilizado para o refino e manipulação de drogas na cidade. No local, um apartamento num residencial no Jardim Olímpico, foram encontrados 153 quilos de maconha, 18 quilos de cocaína e dois quilos de crack. Por questões de segurança, ontem mesmo a Justiça autorizou a incineração da droga, procedimento realizado nos fornos do Frigorífico Mondelli.

O fogo queimou uma quantidade de entorpecente estimada em R$ 400 mil. Curiosamente, todos tabletes de maconha estavam embalados em papéis coloridos e levavam a letra B. A Polícia Civil suspeita que as cores sejam indicativos da qualidade da droga. No laboratório ainda foram encontrados explosivos, já colocados em segurança. De acordo com Bromati, assim que a Justiça autorizar, uma equipe de São Paulo da Polícia Civil virá detoná-los.

Explosivos

Enquanto isso, diligências apuram se eles têm alguma relação com as 54 bananas de dinamite apreendidas há cerca de 20 dias na zona rural de Iacanga (50 quilômetros de Bauru) ou com eventuais atentados - inclusive como o que ocorreu em Botucatu contra a Dise de lá, quando o prédio veio abaixo por conta de explosões provocadas por combustível. Tal hipótese é a que tem menos força. Uma outra possibilidade seria a comercialização ilegal do material. Estima-se que cada banana possa ver vendida entre R$ 50,00 e R$ 300,00.

“Por enquanto, não temos como afirmar nada, mas tudo vai ser checado”, comenta o titular da Dise. Ele também apreendeu anteontem, além de equipamentos e produtos químicos para a elaboração de drogas, coletes à prova de balas, uma escopeta calibre 12 com mira a laser e munições, inclusive para pistola ponto 40 - utilizada pela Polícia Civil. Uma das hipóteses é que esse material era utilizado para a prática de assaltos.

Tanto que também foi encontrado anteontem, durante a mesma operação, um carregamento roubado de remédios que seria encaminhado a diversas farmácias. Ao todo, 78 caixas de medicamentos de marcas diferentes, foram relacionados ontem pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Há informações de que Urias tenha ficado com ele porque lhe ofereceram o negócio a um custo tentador.

Além dos seis presos anteontem, incluindo Urias, é possível que outros sejam detidos por conta da operação. A Dise já recorreu à Justiça com pedido de prisão preventiva para outras pessoas que seriam integrantes da mesma quadrilha. Número e nomes não foram informados por questões de segurança.

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