Na semana em que patrocinou um megaevento que serviu de palanque para Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou o lançamento da ministra-chefe da Casa Civil como pré-candidata ao Planalto em 2010, prevendo um duelo entre PT e PSDB pela sua sucessão.
Na entrevista concedida à Associação Paulista de Jornais, Lula brincou com a volatibilidade da direção petista, a quem atribuiu a decisão sobre o futuro de Dilma, mas manifestou apoio inconteste à ‘Mãe do PAC’.
“Indubitavelmente vai ter uma disputa entre PT e PSDB na sucessão presidencial. Não sei se vai ser o Aécio, se ele vai vencer essa parada interna. Não sei se vai ser o Serra. No caso do PT, eu penso que o PT vai escolher a companheira Dilma. Eu acho. Mas como o PT é imprevisível, vamos esperar que decida.”
Dilma foi a ‘estrela’ do Encontro Nacional de Prefeitos, realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. À ocasião, ela falou para 5.300 chefes do Executivo de todo o país e chegou a anunciar a construção de um milhão de casas populares até 2010, além de oferecer a inclusão de obras municipais no portifólio do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento).
O tom de campanha da solenidade ensejou a primeira mobilização da oposição acusando o uso da ‘máquina’ na corrida eleitoral —o DEM ingressou no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
O presidente, que cumpre o segundo mandato e ficará ausente de uma eleição presidencial pela primeira vez desde 1989, dá sinais de que pavimenta o processo de transição no cargo.
“O importante é que, qualquer que seja o resultado, a gente vai ter uma pessoa civilizada para governar o país. Todas as pessoas que estão aí são pessoas que têm passado. São pessoas que têm tradição na luta popular. Acho que é melhor do que quando a gente disputa entre o cara de esquerda e o cara direita. São mais ou menos pares ao compreender os problemas do Brasil”, afirmou Lula.
Bola dividida
Embora anteveja uma transição serena, o petista recorre à metáfora futebolística para descrever o clima da disputa eleitoral do ano que vem.
“Eu vou manter a minha boa relação com todo o mundo. Eu prezo muito a relação de amizade. Eu posso romper politicamente com a pessoa, mas não perco a minha relação de amizade. Eu aprendi muito cedo. Agora, disputa eleitoral... Eu jogava futebol com meu irmão. Nós dávamos botinada e estava tudo resolvido. Na política, é a mesma coisa. Vai ter uma disputa, vamos disputar. Quem ganhar leva, governa e nós temos que trabalhar para que o Brasil tenha cada vez mais sorte com os governantes.”
Questionado sobre sua relação com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), o presidente manteve o espírito diplomático e arriscou um palpite no ninho tucano —que debate a realização de prévias entre Aécio e o governador de São Paulo, José Serra, para definir o candidato.
“Estou unido ao Aécio pelo bem de Minas e do Brasil. Temos trabalhado juntos, somos parceiros. Eu não tenho nenhuma pendenga com ele. Somos, antes de tudo, companheiros. Obviamente que ele pertence a um partido político e eu pertenço a outro. Certamente o partido dele terá candidato à presidência da República e o meu partido também. O Aécio vai ter que enfrentar uma prévia dentro do PSDB.”
Alfinetada
Durante a entrevista, Lula chegou a alfinetar o governo de Serra ao comparar os valores dos pedágios de rodovias estaduais privatizadas com os cobrados nas estradas federais que passaram às mãos da iniciativa privada.
“Se você analisar as concessões que temos feitos e comparar os pedágios estaduais com os que nós estamos fazendo, você vai ver que nós não temos cobrado nem 30% do que nos Estados. Então, as concessões estão dando certo. É só você pegar a última concessão feita no governo do Estado de São Paulo, que saiu a R$ 8 de pedágio e a nossa saiu R$ 2,90 o pedágio.” No decorrer da semana, o presidente já havia criticado o governo do tucano pelos indicadores da educação no Estado.