Tribuna do Leitor

Mundo da Rua!


| Tempo de leitura: 3 min

Lucas Selva e Selva observa o semáforo. Maltrapilho, faminto e malabarista, ele observa o trem das cores, que Caetano um dia não cantou, esse é outro, cores primárias de quem não vai à escola, cores secundárias, a quem a educação não foi autorizada!

De repente o verde, mundo que todos querem preservar, a ele somente nada pode reservar, a vida passa depressa demais, esvai-se, imagens passagens efemerizam-se à sua frente, o amarelo esquitossomoze custa a chegar, atenção, ictirícia, áscaris, pseudoouro, finalmente chega o vermelho, a cor sangue é de multidão aflita, misturam-se nãos, moedas, moedinhas, positivos, negativos, cabeças que negam o que têm para os que se abstêm e não contêm!

Limões acima, olhos abaixo, a cola que não é de escola a palmos do nariz, abaixo a escola, rua já! O sol escaldante não dá caldo, nem respaldo, já fora meio dia de um novo velho dia, é hora da contagem do “deslucro”, moedas que totalizam o nada, motoristas ingratos, pais inaptos, políticos ratos, protestos sem atos, colas de sapatos! “Pra que almoço, seu moço? “ A cola é que descola, não é de escola, a cola vem da esmola de quem se amola, da sociedade que assola, do mundo da rua que isola e consola!

Lucas Selva e Selva não tem fome, não consome, a cola nunca some, é desafio até pros “home”, é fome zero ou zero fome? Perguntam sobre casa, fica distante, depois dos buracos, o bastante para assustar os fracos, questionam sobre a mãe, participa de um programa depois das seis, volta de madugada, dorme o dia todo, mesmo sem empregada! Cadê o pai, dizem que "estais no céu", o padre lembra -se dele todos os domingos, e as pessoas que lá dão mais moeda, dizem após se lembrarem do pai dele também, amém!

O escuro dá noite e a luz é fraca como a féria dada pelas feras feridas, o limão não sobe, nem desce, virou goma, comprada no mercado, tem o ágio do pedágio do semáforo tricolor de dor, ninguém quer doce, é hora da janta, janta, o que é isso? Janta é engolir algo em pratos e quartos separados em horários alternativos impostos pela televisão de impostos!

A TV a cabo deu cabo em muitas famílias, mas ninguém deu conta, só recebeu conta, então conta o que vem nesse não faz-de-conta! Contam que vem mais um capítulo, de frutos podres do prostíbulo, que não se prescrevem no versículo, que enfim não tem epílogo, as esquinas serão quinas, quadras, terços rezados todos os dias com malabares movidos à cola, que desconhecem o quadro negro da escola, e que “ amanhã não vai ser outro dia....”

E agora que a chuva cai, fazendo outros buracos, onde a sociedade quereria enterrar Lucas Selva e Selva, a água com calma lava a alma daqueles que deram esmola, quando poderiam dar escola ou ex-cola e de alma lavada e dormindo na guia sem guia, o malabarista prepara outro número para uma nova esquina de sinaleiro, o que nem sempre é bom sinal!

Sinuhe Daniel Preto, triste como o mundo da rua!

Comentários

Comentários