"Tem muita gente deixando de ganhar dinheiro em Bauru". A afirmação é de Paola Daré Braga, presidente do Núcleo Bauruense do Quarto de Milha (NBQM), ao se referir ao que classifica falta de interesse dos empresários em divulgar seus produtos durante as competições de hipismo rural que são realizadas todos os anos no Recinto Mello Moraes. O 13º Campeonato do NBQM, que começou na última sexta-feira no Recinto Mello Moraes, em Bauru, e termina hoje.
Segundo ela, o público que participa desses eventos tem um poder de compra muito grande, mas muitos não sabem onde gastar o dinheiro. “Tem pessoas que vêm me perguntar onde se vende lonas e outros artigos ligados à agropecuária. Temos grandes empresas desse ramo em Bauru e elas não se interessam em montar estandes no recinto”, relata.
No entanto, a falta de interesse não é apenas de empresas especializadas. As que atuam no ramo de alimentação, lazer, serviços, etc, também não estão explorando esse filão, frisa. Das lojas que montaram estandes no recinto neste ano, a maioria é de outras cidades.
Na edição deste ano, existem 1.300 competidores inscritos. Normalmente, eles vêm acompanhados de uma ou mais pessoas, o que eleva o número de visitantes para cerca de 3 mil. De acordo com Paola, boa parte desse público não conhece Bauru e faz apenas o caminho do hotel para o recinto e vice-versa. Segundo ela, praticamente não há a preocupação dos empresários em “fisgar” esses consumidores em potencial. “Fiz o convite para vários desses empresários, mas eles nem sequer vem aqui ver como é”, lamenta.
Como vem ocorrendo edição após edição, a deste ano também superou a do ano anterior, tanto em número de animais quanto de competidores. Segundo Paola, não é nenhum crescimento extraordinário, mas ele tem se mostrado contínuo. “Estamos crescendo devagar, mas esse crescimento é constante”, diz ela.
Na opinião dela, essa superação ano após ano tem um motivo: a preocupação da diretoria em organizar o evento da melhor maneira possível nos seus mínimos detalhes. “Sou competidora e estou sempre viajando. Quando saio, levo a família inteira e vejo que em alguns lugares não oferecem conforto. Quanto tem, direcionados mais aos cavalos e aos competidores”, comenta. “O que fazemos aqui em Bauru é o que a gente gostaria de encontrar em outros lugares. Aqui, se a vovó vier para acompanhar as provas, terá cadeira para ela.”
Apesar de afastar um pouco o público, as chuvas dos últimos dias não atrapalharam o campeonato. Na avaliação de Paola, a chuva apenas deixa o evento “feio” porque o ideal seria um dia ensolarado. “Nossa pista é muito firme, pode chover que os animais não vão escorregar. Ela não oferece perigo nenhum”, garante.
A preocupação com as condições do tempo é tão insignificante que os organizadores nem se dão ao trabalho de consultar a meteorologia antes e durante as competições. Segundo ela, todos os inscritos neste campeonato compareceram. Não faltou ninguém e quem veio pela primeira vez já adiantou que voltará outras vezes. A entrada para assistir às provas é gratuita.