Esportes

Para torcida, diretoria de futebol compromete esforços de Damião

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

Apesar do esforço descomunal feito pelo presidente Damião Garcia e pelo investidor Fernando Garcia, que aceitaram ficar no clube e investiram pesado mais uma vez para dotar o clube de todas as condições financeiras para fazer uma boa campanha no Paulistão, a diretoria de futebol do clube, comandada por Joice Queiroz, não corresponde nem de longe às expectativas dos líderes do clube e muito menos dos torcedores e crônica especializada.

A única solução usada pela diretoria de futebol para tirar o Noroeste do incômodo último lugar na tabela de classificação do Paulistão 2009 é inchar o elenco a cada novo insucesso. A duas bolas da vez, que chegaram na última semana, são o meia-atacante Bruno Ferraz, que estava sem clube e foi apresentado na manhã da última quarta-feira pelo diretor de futebol Joice Queiroz, e o atacante Bruno Cesar, apresentado sexta-feira.

Os jogadores chegam por indicação do técnico Fahel Júnior para dar um jeito na armação de jogo e no ataque. O setor de meio-campo do alvirrubro esteve ausente nos seis jogos do Paulistão e parece não ter sido pensado quando se planejou a montagem do atual elenco. Ao apresentar mais dois novos reforços, Queiroz admitiu que outros jogadores indicados pelo técnico Fahel Júnior poderão vir caso o time continue colecionando maus resultados. Nessa batida, não será difícil o Norusca terminar o campeonato com ‘50 jogadores’.

O diretor de futebol anunciou um novo atleta para uma posição em que outros seis vieram no período de novembro de 2008 até esta semana, indicativo claro de que há um sério problema de planejamento do elenco do alvirrubro. A cada performance medíocre do time em campo, torcedores e a crônica esportiva da cidade pedem uma explicação convincente para o fato do jogador chegar, não jogar ou ser dispensado. O último a sair foi o atacante Valdiran, que já foi artilheiro de uma Copa do Brasil, mas que não entrou em forma a tempo. O elenco sempre em aberto atrai desconfiança geral, tanto interna quanto nos torcedores, e leva a conclusões de que determinados reforços não têm condições para vestir a camisa do Noroeste. A impressão é de que falta entrosamento entre a diretoria de futebol e os técnicos - o ex Ruy Scarpino e o atual Fahel, comentam os torcedores nas arquibancadas.

No confronto contra o Grêmio Barueri, o Noroeste apenas empatou em 1 a 1, somando dois pontos em 18 disputados. O consolo é que apenas por algumas horas pela primeira vez em sete rodadas, o alvirrubro passou a lanterna do campeonato para o rival Marília, que jogou no dia seguinte, venceu o Santos e deixou a lanterna com o Vermelhinho.

Se o tempo é o melhor remédio, para o Noroeste foi amargo, pois confirmou uma triste realidade com o alvirrubro fechando a sétima rodada (são seis jogos, quatro derrotas e dois empates) em último lugar. Diferente do Noroeste que perdeu do Santos de virada, em Marília o rival fez um gol aos oito minutos da primeira etapa e se virou para manter-se na frente no placar, no meio da semana. Conseguiu a vitória e devolveu a laterna para o time de Vila Pacífico.

Após dois jogos com novo técnico, fica nítido que o elenco Noroeste está desmotivado. E não há ninguém para intervir e retomar as rédeas da situação, obrigação que deveria ser exercida pela diretoria de futebol, responsável pelo ambiente extra-campo, enquanto que ao técnico cabe se concentrar em evitar o pior dentro das quatro linhas. O alerta é que a fórmula de disputa do Paulistão, campeonato de tiro curto, separa amadorismo e profissionalismo ao não permitir erros e o Noroeste já abusou do direito de perder pontos, principalmente jogando no estádio Alfredo de Castilho. Queiroz citou para a reportagem que o empate contra o Guaratinguetá, em Bauru, pesou muito para a atual crise no alvirrubro. Naquele momento, era a terceira rodada e a segunda partida do time em casa após duas derrotas consecutivas – para o Paulista em Jundiaí e Santos no Alfredão.

A falta de critério na hora de “reforçar” o time, opinião compartilhada pelo radialista Luiz Carlos Silvestre, também tem sido preponderante para os maus resultados no Paulistão. Chefe da equipe esportiva da rádio Auri Verde, Silvestre critica o inchaço do elenco, que, de acordo com ele, confunde treinadores: “Ninguém consegue trabalhar com um grupo desse tamanho”, observa.

Com 32 jogadores, o atual plantel, ainda conforme o radialista, foi composto sem planejamento. “É incompetência dos diretores, que contrataram sem observar se o jogador tinha condições. Um exemplo é o Valdiran”, argumenta Silvestre, apontando também as desenfreadas - e aceitas - ofertas de empresários, que “empurraram” jogadores para a diretoria. “O Fahel (Júnior, treinador) pegou o fio da meada”, isenta, ao poupar o treinador recém-chegado. “O problema é o pessoal que contrata”, insiste o radialista”.

Torcida revoltada

A gota d’água para a torcida uniformizada Sangue Rubro foi ouvir “ão, ão, ão, Segunda Divisão”, coro entoado pela torcida adversária em Itápolis, domingo passado, numa referência à possível queda do Noroeste para a Série A-2 do Paulista. A torcida teme pelo vexame de disputar no ano do Centenário, 2010, a Segundona.

O presidente da Sangue Rubro, José Roberto Pavanello, questiona o inchaço do elenco e a falta de critério nas contratações. “Eu fiquei sabendo que muitos desses (jogadores) são herança do Ruy (Scarpino). Eu quero acreditar que seja (do Ruy). A gente tem que questionar: ‘será que o Joice está tendo influência direta nessas más contratações? Ele sendo um funcionário do seo Damião e do Fernando e trazendo essa gente sem ter conhecimento a fundo. Acho meio temeroso, porque ele é um cara braço direito. Ele tem que ter conhecimento, diz Pavanello.

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