Internacional

‘Referendo sela meu destino’, diz Chávez

Folhapress
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Fabiano Maisonnave

Caracas - Em jornada sem maiores incidentes, a Venezuela voltou às urnas ontem para decidir sobre a aprovação da reeleição ilimitada, que abriria o caminho para Hugo Chávez se candidatar pela quarta vez consecutiva à Presidência em 2012.

Ao longo do dia, porta-vozes do governo e da oposição se revezaram na TV exortando a população a comparecer aos centros eleitorais - o voto é facultativo para os cerca de 16,7 milhões de eleitores do país.

As declarações mudaram de tom por volta das 17h locais, uma hora antes do fechamento das urnas. Em pronunciamento no comando de campanha, o ministro das Finanças, Ali Rodríguez, afirmou que, “pelo que dizem as pesquisas de boca-de-urna, a tendência é irreversível, e a resposta que o povo deu é irreversível”. Ele exortou a oposição a reconhecer o resultado.

Pela lei venezuelana, a divulgação de pesquisas de boca-de-urna é proibida antes do anúncio oficial. Pouco depois, o chanceler Nicolás Madurou e o ministro do Interior e Justiça, Tareq El Aissami, fizeram um novo pronunciamento. Estavam sorridentes - o que, na Venezuela, é conhecido como “carômetro”: proibidos de divulgar números, os políticos procuram demonstrar que venceram.

Em resposta, um porta-voz do Comando Angostura (oposição) deu uma entrevista ao canal Globovisión, de oposição, exortando o governo a “procurar lencinhos para secar o choro” e a “lembrar de dezembro de 2007”, quando uma proposta semelhante foi derrotada.

Horas antes, Chávez dissera que “hoje (ontem) se está decidindo meu destino político, e isso para mim, como soldado, como cidadão, é muito importante”.

Durante a campanha, no entanto, ele afirmou que voltaria a tentar mudar a Constituição caso fosse derrotado ontem. Já o governador opositor do distrito de Caracas, Antonio Ledezma, acusou os chavistas de “continuar fazendo campanha’’ durante o processo de votação, o que é proibido.

Comparecimento

Segundo a ONG Olho Eleitoral, o comparecimento às urnas foi considerado “mediano”, e não houve incidentes graves.

Um dos problemas mais recorrentes foi com as urnas eletrônicas, que, na Venezuela imprimem um papel confirmando o voto, depositado numa caixa.

Em alguns centros, no entanto, foram registrados problemas na impressão. O governador chavista do Estado de Anzoátegui (leste), Tarek William Saab, votou duas vezes depois que a primeira impressão saiu em branco, atraindo críticas.

No geral, os eleitores levavam pouco tempo para votar, apesar da pergunta rocambolesca de 65 palavras (leia abaixo), e houve poucas filas.

No poder há dez anos, Chávez, 54 anos, tem dito que quer governar pelo menos até 2019, mas já falou em ficar até 2039. Segundo ele, sua permanência é necessária para consolidar o “socialismo do século 21”.

A campanha da oposição foi centrada no slogan “não é não’, alusão ao referendo de 2007. Para os críticos de Chávez, a reeleição ilimitada debilitaria a alternância política, prevista na Constituição, que só permite dois mandatos seguidos.

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