O eletricista e encanador autônomo João Alves de Almeida, pai da funcionária pública Andreia Almeida Ortolani – que ficou 13 horas em greve de fome em novembro do ano passado para que ele recebesse tratamento médico em casa – morreu no último sábado, no Hospital de Base (HB), em Bauru. De acordo com Andreia, a família aguarda que a emissão do atestado de óbito para saber a real causa da morte do parente.
Vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) em julho do ano passado, Almeida ficou tetraplégico, passou a respirar por uma abertura na traquéia, sofreu com escaras e com uma úlcera de córnea que o deixou cego de um olho. O eletricista permaneceu internado por dois meses no Hospital Estadual de Bauru e, segundo Andreia, recebeu alta mesmo impossibilitado de se locomover, falar e se alimentar.
Conforme explica Andreia, seu pai chegou a receber atendimento em casa (home care) por alguns dias, através de liminar concedida pela Justiça Federal de Bauru, mas ficou sem tratamento porque os profissionais não eram especializados no atendimento a vítimas de AVC. No final de novembro, o paciente foi encaminhado ao HB, onde recebeu cuidados até o fim da vida.
“Ele estava em um quarto e já havia, inclusive, possibilidade de voltar a ser tratado em casa, mas infelizmente o Estado ainda não tinha conseguido nos oferecer a estrutura necessária para recebê-lo”, lamenta Andreia. No final da semana, no entanto, o quadro do eletricista se agravou e ele precisou ser internado na UTI. Almeida faleceu às 5h de sábado e foi sepultado no mesmo dia, no Cemitério do Jardim do Ypê. Ele deixa três filhas, uma neta e a esposa Esmeralda.
Depois que o atestado de óbito for divulgado, a família avaliará a possibilidade de ingressar com uma ação judicial para apurar se houve negligência médica durante os sete meses de tratamento do parente.