Tribuna do Leitor

Educação no equilíbrio


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Este assunto interessa a todos aqueles que possuem entes queridos, filhos, netos e sobrinhos que estudam na rede pública de ensino do Estado de São Paulo.

O Estado, através da Secretaria da Educação, criou uma prova para avaliar o conhecimento dos professores temporários (não concursados) para ser um dos critérios na atribuição e distribuição de aulas. A Apeoesp foi à Justiça contra a avaliação por entender que os professores com experiência poderiam perder aulas e conseguiu suspender o exame através de liminar provisória obtida na 13º Vara Pública do Estado de São Paulo.

E aí começou a troca de acusações: a Secretaria da Educação divulgou que dos 214 mil professores temporários que fizeram a prova, cerca de 3.500 tiraram nota zero. Ou seja, dos 25 testes dados, os professores temporários não acertaram nenhum e foram os mesmos conteúdos programáticos que eles ensinam nas salas de aulas. E 1.500 destes terão que continuar dando aulas devido à decisão judicial relata a Secretaria, que decidiu por usar o mesmo critério de 2008 para selecionar os temporários. E o orgão estatal afirma que, se a prova não tivesse sido cancelada pela Justiça, cerca de 50 mil dos atuais professores temporários seriam substituídos por docentes de fora da rede, que tiveram desempenho melhor no exame da seleção. A secretária da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, disse que a Apeoesp defende professores que, por incapacidade, não conseguem passar em concursos. E que há bons profissionais temporários, mas outros não sabem o conteúdo. Por isso, a prova é importante”.

Já a presidente da Apeoesp, Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo, Maria Izabel Azevedo Noronha, contra-ataca dizendo que “a Secretaria de Educação está divulgando dados parciais que só servem para caluniar os professores da rede estadual. Também diz que a Apeoesp não se opõe à avaliação de conhecimento e sempre defendeu o concurso público como método de contratação por excelência. E citou várias irregularidades ocorridas no dia do exame; como o suposto vazamento na véspera da prova, o fato de os aplicadores da provas serem professores da própria rede, o que segundo a entidade comprometeu a lisura do procedimento e, por fim, o mencionamento de locais em que os testes começaram antes do horário marcado e outros em que os examinadores chegaram atrasados”.A Apeoesp, inclusive, tornou público que o correto era a prova ser elaborada,aplicada e corrigida pela Vunesp ou a Fundação Carlos Chagas, entidades que são especializadas nestes tipos de concursos.

O mais lamentável para nós, cidadãos, sem pender para qualquer dos dois lados conflitantes, é que diante deste imblóglio todo há milhares de alunos pobres da rede de ensino estadual paulista que se tornaram as principais vítimas dessa quebra de braço entre governo e sindicato. O governo do Estado erra por ter uma rede pública que utiliza 100 mil professores temporários porque tem mais precisão do que os cargos públicos existentes criados em lei. E porque, até agora, não solucionou este penduricalho educacional?

A Apeoesp tem toda a razão em defender o plano de carreira e a estabilidade. Mais não deve fazer vistas grossas ao maus profissionais da educação. Por mais que os testes tiveram incertezas e possíveis irregularidades, aqueles que tiraram nota zero devem parar de dar aulas e gente ruim tem em todos os lugares, sem exceção. E resta para todos aqueles que não possuem condições de pagar escolas particulares a seus entes queridos torcer para que a educação do Estado de São Paulo tenha uma enorme melhora. E pra isso tanto o sindicato quanto o governo devem rever os seus conceitos.

Pedro Valentim

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