Tribuna do Leitor

Perfeito cavalheiro


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Se falassem de mim para Jurandyr Bueno Filho, por certo, ele diria não me conhecer. Eu, porém, guardo dele uma delicada lembrança do tempo em que escrevia minha tese de doutorado. Como o tema se referia ao ensino superior em Bauru, eu precisava de subsídios sobre a cidade para embasar o trabalho. Foi, então, que, entre outros locais, dirigi-me à Prefeitura de Bauru onde o arquiteto trabalhava.

De todas as repartições que visitei, sem dúvida nenhuma, a que me deu acolhida mais fidalga, mais humana, mais gentil, foi a capitaneada por Jurandyr Bueno Filho. Em poucos minutos de conversa, já se podia sentir sua alargada visão do mundo, sua posição firme e inteligente diante de determinados conceitos. Jurandyr sugeriu, apontou caminhos, incentivou-me. Gosto de poder recordar certas imagens, palavras, fulgurâncias, guardadas na memória, que estão sempre prontas a emergir, sem explicações plausíveis. Talvez tenha sido a forma cortês como Jurandyr Bueno Filho me recebeu, naquele momento especial de minha vida; talvez tenha sido o carisma, a educação, a inteligência, a afabilidade que tenham marcado a presença dele para sempre em minhas lembranças mais amenas. O certo é que mesmo sem as evocar, essas imagens, essas palavras soltas, estarão sempre à minha disposição, como retalhos coloridos de minha mocidade tão plena de ideais...

Dizem que Turguiéniev quis escrever uma derradeira carta a Tolstoi: “Senhor, foi uma grande felicidade ter sido seu contemporâneo.” Nem todos são Turguiéniev. Mas é um pouco isso que queremos dizer nestas palavras e que dizemos, de fato, pelo simples fato de escrevê-las.

Maria da Glória De Rosa

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