Pesca & Lazer

História de Pescador: O tamanco


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Bernardo José Guerra, meu avô materno, ainda muito jovem desentendeu-se com seu pai. Saiu de casa, na cidade de Alcobaça (BA), e embarcou como tripulante num navio da marinha mercante brasileira. Era o período da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Várias vezes o navio correu o risco de ser afundado pelos alemães. Conheceu diversos países: Portugal, Itália, Espanha, França, Inglaterra, etc.

Havia, em plena guerra mundial, uma natural escassez de alimentos à bordo. Saudoso dos peixes pescados e comidos na cidade litorânea de Alcobaça, resolveu ser criativo. Pegou uma corda bem grossa, amarrou-a num dos mastros do navio. Na outra ponta da corda colocou um anzol bem grande, do tipo arpão. Pegou um tamanco (calçado cuja base é de madeira e não de sola). Fez um furo no tamanco, passando nele o anzol.

A cor da madeira do tamanco, alvo-argêntea, assemelhava-se muito a um peixe com escamas. Meu avô lançou a corda ao mar. O tamanco balançava ao sabor das ondas. O que daria a impressão de algo vivo. De repente surgiu um tubarão. Ao ver o tamanco ele se iludiu e achou que fosse outro peixe. O tubarão abocanhou vorazmente o “peixe”. Naquele dia todos saborearam a carne de tubarão, preparada por meu avô, um excelente cozinheiro.

Gilberto Sidney Vieira é pescador e contador de histórias.

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