Polícia

Mototaxista é morto a tiros em Aimorés

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O mototaxista Adão Roberto Ramos, 50 anos, foi morto a tiros anteontem, em Bauru. Ele é a quarta pessoa assassinada na cidade neste ano. Foi encontrado ferido na rua Rio Dourados, no bairro de Aimorés. Chegou a ser socorrido ao Pronto-Socorro Central (PSC), onde chegou já sem vida. O caso foi registrado como homicídio simples, mas a Polícia Civil não descarta a possibilidade de tratar-se de um latrocínio – roubo seguido de morte.

A moto da vítima, que trabalhava como autônoma à noite, sumiu. Adão dirigia uma CG 125 Titan azul, placa CTW 3962, de Bauru. Ela não estava no local onde ele foi encontrado ferido. Uma testemunha informou aos policias ter ouvido disparo de arma de fogo e ruído de motocicleta. Ao aproximar-se, viu um homem no chão e acionou a Polícia Militar, conforme consta no boletim de ocorrência. O resgate do Corpo de Bombeiros também foi acionado.

No local, os policiais recolheram apenas um capacete vermelho, uma vez que a vítima estava sem documentos. O corpo de Adão só foi reconhecido ontem pela manhã, por um primo. Mas o irmão Gilmar Ramos já havia confirmado a perda ao reconhecer como dele o relógio e a chave de casa apresentadas por uma assistente social do Pronto-Socorro Central (PSC) como pertencentes à vítima fatal que havia dado entrada no local no início da madrugada.

Logo ao acordar, Gilmar percebeu que o irmão não estava em casa. Ambos moravam juntos com a mãe, de 81 anos, e a irmã deficiente. Adão sempre chegava do trabalho por volta das 24h. Solteiro, era ele quem cuidava da casa e das duas mulheres da família. Por essa razão, fazia bicos à noite. “Eu liguei para o celular dele e só dava caixa postal”, comentou Gilmar.

Preocupado, procurou o plantão da Polícia Civil e o Pronto-Socorro. Depois, seguiu para a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), onde o reconhecimento do corpo foi oficializado, confirma o delegado Ricardo Dias, segundo quem Adão não tinha antecedentes criminais. Pelo contrário, parecia um homem pacato, tranqüilo. Desde que perdeu o emprego num frigorífico da cidade, trabalhava como mototaxista autônomo. Estava no ponto já há uns quatro anos, conforme relatou a família ao delegado.

“Não dá mais para trabalhar à noite, a não ser que você conheça a pessoa. Tem quem pegue os números no ponto para roubar mototaxistas”, diz um rapaz que trabalha no mesmo ponto que Adão prestava serviços, mas em turno diferente. Ele pediu para ter o nome preservado. O perigo é reconhecido pelo próprio irmão Gilmar, também mototaxista, mas que faz corridas só durante o dia.

“Devem ter levado mais dinheiro. A assistente social encontrou R$ 15,00, mas ele sempre tinha mais no bolso. Pelo que os policias disseram, ele deve ter reagido porque estava todo sujo de terra”, comenta. Há cerca de oito meses, ele perdeu outro irmão vítima de um acidente de trânsito, no Núcleo Habitacional Beija-Flor, onde a família dele reside.

Tanta tragédia levou a mãe deles ser atendida ontem no PSC. Depois de medicada e liberada, foi conduzida para casa, onde o velório seria realizado ontem à tarde. O enterro está previsto para hoje, às 9h, no Cemitério do Jardim Redentor.

Adão Ramos foi morto com dois tiros. Um atingiu o abdome, na altura da costela e o outro, o fêmur, na região da bacia. Ele ainda foi atingido por uma pancada forte na cabeça, desferida por um instrumento não identificado.

Comentários

Comentários