O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) disse ontem à noite, durante participação na solenidade de inauguração da nova sede da Justiça Federal de Bauru, que vai apresentar ao Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) oferta de reposição da inflação de 2008 (em torno de 6%), mas também quer iniciar a discussão sobre aumento real a partir de prioridades para algumas carreiras.
Antes mesmo de iniciada a mesa de negociação com o Sinserm, a partir da data-base do funcionalismo em março próximo, o Executivo já comentou com o sindicato que a solicitação de 30% de reposição de perdas está muito longe da realidade local. Estudo do sindicato aponta que o total dadefasagem chega a 79%. O vale-compra é reivindicado a R$ 220,00.
A ponderação era esperada. Além de o percentual de reivindicação aprovado em assembléia dos servidores, realizada anteontem, estar acima do patamar abordado no Palácio das Cerejeiras, o ambiente de crise na economia – com retração dos repasses intragovernamentais e indicadores de desaceleração nas receitas próprias – aumentou a necessidade de cautela do Executivo.
Sobre o assunto, Agostinho fez o seguinte comentário, ontem à noite: “A revisão da inflação do ano de forma linear sai. Mas a reivindicação de 30% extrapola a realidade da prefeitura. Estamos iniciando estudo do impacto financeiro que a reposição vai ter sobre a folha”, antecipou.
Para argumentar em outra direção – de que não se esqueceu da promessa de valorizar o funcionalismo – o prefeito lembrou o que disse pessoalmente ao Sinserm ainda na fase de transição do governo, no final do ano passado: “Eu já havia dito ao sindicato que vamos dialogar, discutir o que pode ser feito. Mas eu também disse que vou mexer em algumas carreiras e apontar para as que estão mais defasadas. Estas precisam de mudança prioritária no plano de carreira e eu vou ver quanto é possível melhorar a grade. Vou enviar projetos de lei à Câmara nesse sentido”, confirmou.
O chefe do Executivo não elencou as carreiras que terão inicialmente proposta de mudança no plano de cargos e salários. Mas categorias com formações em áreas como a dos engenheiros, economistas, contadores, médicos e outros profissionais de áreas técnicas ou especializadas estão entre as que passarão pelo estudo do Executivo. “Quero trabalhar a mudança de grade para algumas carreiras e vou começar pelas que mais precisam ser valorizadas em relação às carências da prefeitura e o limite de despesas que poderemos avançar”, acrescentou.
Em encontro com representantes da construção civil, ontem, o prefeito disse: “Vamos mandar um projeto para a Câmara propondo a revisão de cargos e salários na Secretaria de Planejamento, porque não estamos conseguindo contratar engenheiros, arquitetos e desenhistas”.
A preocupação da prefeitura com o ambiente de retração nas receitas pode ser medida com a decisão de Agostinho de separar (contingenciar) em conta-corrente cerca de R$ 10 milhões para garantir o pagamento de uma folha mensal, com encargos previdenciários, caso alguma “tragédia” financeira assole o País até junho próximo. Até lá, a prefeitura espera ter diagnóstico mais claro sobre a amplitude da crise e seus reflexos sobre as receitas municipais.