Quem passa freqüentemente pela rua José Maciel Ribeiro, no Jardim Colina Verde, já conhece os latidos de Nina. Como a maioria dos pintchers, ladra por causa da sombra de qualquer pessoa. Na noite de anteontem, não foi diferente. O ruído incessante parecia normal. Mas quando apareceu chorando em frente à outra residência da mesma rua, chamou atenção do morador. Ela avisava sobre um furto na própria casa.
Ao perceber que a cadela de seu filho estava inexplicavelmente ali no seu portão, o policial militar aposentado resolver passar no imóvel dele, que havia viajado para a praia com a família no último domingo. Caminhou cerca de 20 metros (são vizinhos) e chegou a tempo de ouvir o ladrão fugir pela edícula com um DVD, um videogame e um playstation. Não fosse Nina, é possível que tivesse levado mais coisas.
O autor do furto qualificado arrebentou a porta da frente e entrou no imóvel. Escapou pelos fundos ao, provavelmente, pular no quintal de um vizinho e numa casa recentemente desocupada. “Eu vi as todas as luzes da casa acesa e achei que fosse meu neto mais velho, que iria dormir lá. Depois, quando fui tomar banho, ouvi os latidos. Terminei rápido e ela estava no portão”, conta o policial aposentado. Em nenhum momento lhe passou pela cabeça que o imóvel do filho estivesse sendo furtado.
Tanto que, mesmo ouvindo barulhos dentro da casa, entrou sem qualquer proteção. Quando viu a porta arrombada, percebeu a ocorrência. Também já havia estranhado a presença de Nina, uma vez que ela não tinha como deixar a casa de seu filho por conta dos portões fechados. Supôs que o neto a teria deixado na rua por alguma razão. Mas o rapaz nem havia chegado ao endereço. Por conta da situação, a férias de seu filho, que também é policial militar, foram interrompidas.
Ao tomar conhecimento do corrido, pegou a estrada de volta junto com a família. Por questões de segurança, os nomes dos envolvidos foram preservados.