São Paulo - O Carnaval de São Paulo começa hoje no Sambódromo do Anhembi com desfiles que discutem o próprio evento na cidade - algo como uma “egotrip” coletiva, que tenta refutar a ideia de que SP é o “túmulo do samba” e não tem uma festa importante como a carioca.
Na primeira noite do espetáculo, a escola Rosas de Ouro, segunda a desfilar na avenida, traz um enredo sobre a produção do Carnaval (“Bem-vindos à Fábrica dos Sonhos”).
“O enredo será a própria escola de samba”, diz o carnavalesco Jorge Freitas, para quem os 4 mil componentes a desfilar na escola são o foco do espetáculo. “O Carnaval passa por um momento reflexivo, e nosso enredo mostra isso, que Carnaval de SP é importante pelas pessoas que fazem a festa.”
Assim, nos carros estarão retratados de costureiras a marceneiros. O quarto carro suscitará a comercialização do evento (com destaque para o papel da televisão no crescimento do Carnaval paulista), enquanto o quinto terá 14 formigas gigantes representando as escolas do grupo especial de São Paulo.
A Nenê de Vila Matilde vai na mesma linha e encerra a primeira noite com a história de sua própria fundação, com o enredo “60 Anos - Coração Guerreiro, a Grande Refazenda do Samba”.
“A escola é o seu Nenê, e o seu Nenê é a própria escola. Por isso meu pai será homenageado como o fundador da escola, há 60 anos, mas também como um pioneiro do samba de São Paulo”, diz Adalberto Alves da Silva, vice-presidente da escola.
A escola reservou, no abre-alas, destaque para o homenageado: seu Nenê estará em um trono cercado pelo estandarte da escola e de bandeiras de outras agremiações, além de fotos dele e de “familiares do samba”.
Outros carros tratam dos enredos históricos da Nenê. A segunda alegoria relembra o enredo “Pauliceia Desvairada”, de 1970, e tem uma escultura de um abaporu - da tela de Tarsila do Amaral de mesmo nome - de 6,5 metros de altura.
As outras cinco escolas a desfilar nesta primeira noite levarão os foliões de Angola, na África (Tom Maior), a Pernambuco (Mancha Verde) e à Amazônia (X-9 Paulistana), além de abordarem as riquezas produzidas pela terra (a Unidos do Peruche canta as pedras preciosas) e pelo homem (a Unidos da Vila Maria narra a história do dinheiro).
Sábado, na segunda noite, desfilam: Leandro de Itaquera, Pérola Negra, Mocidade Alegre, Acadêmicos do Tucuruvi, Gaviões da Fiel, Vai-Vai e Império de Casa Verde.