Política

Economia dá o tom da pré-campanha

Por Fábio Zambeli | Da APJ - Especial para o JC
| Tempo de leitura: 4 min

A crise econômica e as soluções para o combate aos seus efeitos detonou a largada precoce na corrida pelo governo estadual em 2010. De olho na sucessão, PSDB e PT já colocam os projetos de socorro à economia como carros-chefe da agenda eleitoral e tentam polarizar o embate político.

No ninho tucano, os dois potenciais candidatos ao Palácio dos Bandeirantes têm nas mãos um amplo arsenal de ações oficiais a ser explorado nos 16 meses que antecedem a temporada de convenções.

Os secretários Geraldo Alckmin (Desenvolvimento), de Pindamonhangaba, e Aloysio Nunes Ferreira (Casa Civil), de São José do Rio Preto, desfrutam de amplo prestígio no interior e estão à frente da interlocução do governo de José Serra (PSDB) com prefeitos.

Na oposição, o PT trata a “agenda da crise” como prioridade e tenta desviar o foco da escolha dos nomes do partido que entrarão no páreo.

“O PT tirou que a agenda prioritária de São Paulo é a agenda de enfrentamento à crise. Tiramos isso como posição partidária. Vamos trabalhar para debater com a sociedade paulista as medidas que podem ser tomadas”, afirma o presidente do diretório estadual petista, Edinho Silva.

Preferido do presidente Lula, o ex-ministro Antonio Palocci ainda depende de aval do STF (Supremo Tribunal Federal) para definir seu rumo político.

Na esteira da popularidade da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), a ex-prefeita da capital Marta Suplicy ainda aparece como alternativa ao partido por seu “capital eleitoral” acumulado ao longo da carreira.

Correndo por fora estão o deputado federal Arlindo Chinaglia, o senador Aloizio Mercadante e o prefeito de Osasco, Emídio de Souza.

A cúpula da legenda, todavia, descarta a discussão de nomes. “Hoje é consenso no partido que não vamos deixar o debate de nomes emergir neste momento. O momento adequado não é agora. As condições políticas não são para isso. O mais importante agora é enfrentar a crise”, conclui Edinho Silva.

“Quando se discute sucessão, a movimentação se antecipa mesmo. É natural que o PT e o PSDB se movimentem. O PT tem que trabalhar as candidaturas e é legítimo que eles também façam isso. A agenda eleitoral é que não pode se sobrepor à agenda governamental.”

Pacote “alternativo”

O PT contra-atacou ao pacote divulgado pelo governador José Serra (PSDB) e lançou na última semana uma versão paralela do “PAC Paulista”. A direção estadual do partido considera as medidas “tímidas” e “tardias” e cobra o incremento de políticas sociais no ápice da crise.

“O Estado mais forte do país não pode ter uma posição tão tímida quanto vinha tendo. Hoje 44% dos desempregados, por conta da crise, são de São Paulo”, afirma o presidente estadual do PT, Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara.

O dirigente reuniu os prefeitos da legenda na quarta-feira na capital para respaldar o documento que inicia o desenho da agenda petista para o ano eleitoral.

“Nós entendemos que as medidas do governo poderiam ser mais arrojadas. Em relação à área social, as iniciativas foram muito frágeis. O governador contingenciou R$ 1,5 bilhão do Orçamento, o que atinge diretamente a área social.”

Para o presidente do PT, parte das ações anunciadas por Serra já sofrem contingenciamento antes mesmo de entrar em vigor.

“A Nossa Caixa teria um papel estratégico. Mas 60% dos recursos da agência de desenvolvimento foram contingenciados e o governo não tem hoje um instrumento para agir diante da crise.”

Os petistas defendem que seja turbinado o programa de construção de casas populares por meio da CDHU (Companhia de Desenvolviment Habitacional e Urbano), que detém verba “carimbada” para as obras.

“A CDHU, por exemplo, não foi mobilizada. O governo Lula lançou pacote de um milhão de casas, mas não se viu o mesmo esforço aqui, pois a estatal tem 1% do ICMS carimbado.”

Na avaliação de Edinho, o incremento de programas sociais traria benefícios a setores vitais da economia no interior. Segundo ele, o programa Viva-Leite se for intensificado melhora a situação do pequeno produtor, da agricultura familiar.

O PT quer revigorar as câmaras setoriais para unir forças em prol da manutenção do nível de emprego no Estado.

“Em vez de o governo agir como bombeiro, socorrendo uma ou outra empresa, poderia criar um espaço nas câmaras setoriais em que todos os segmentos possam discutir medidas para atenuar os efeitos da crise e se antecipando aos problemas das cadeias produtivas. Infelizmente, o governo do Estado não exerce este papel de liderança.”

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