Os universitários estão invadindo os bairros de Bauru e eles vêm de cidades próximas ou mais distantes e até mesmo de outros Estados. A partir da próxima semana, quando os cerca de 4.100 alunos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) chegam para iniciar ou dar seqüências aos seus cursos, estima-se que Bauru passe a contar com mais de 17 mil universitários matriculados em seus dez estabelecimentos de ensino superior.
E com o começo das aulas, boa parte desses jovens também dá início a uma nova etapa de suas vidas. Morar sozinho ou pelo menos longe dos pais significa ter novas responsabilidades e a tão sonhada liberdade. Contas a pagar e casa para limpar... são tantas outras novidades que alguns chegam até a estranhar a ‘nova vida’.
Para quem vem para estudar e resolve viver sozinho, a solidão, pelo menos nos primeiros dias, é a maior dificuldade a ser enfrentada. Já para quem decide morar em repúblicas ou dividir apartamentos com outros estudantes o obstáculo é adaptar-se às regras de convivências e à divisão de tarefas dentro de casa.
Não dá para dimensionar o percentual de universitários vindos de fora que optam por morar em Bauru. O número varia bastante de uma faculdade para outra, como explica o professor Aziz Kalaf Filho, diretor do câmpus da Universidade Paulista (Unip) em Bauru.
“Aqui na Unip, por exemplo, fiz um levantamento há cerca de quatro anos e constatei que a metade dos nossos alunos é da própria cidade, uma segunda parte vem de carro ou ônibus e mora em cidades vizinhas compreendidas dentro de um raio de até 100 quilômetros e só uma pequena porção, que não chega a 10% dos nossos alunos, vem de outras cidades para estudar e morar em Bauru”, conta Kalaf Filho.
Atualmente, a universidade tem cerca de 4.200 alunos matriculados. E é esse público universitário, de acordo com proprietários de imobiliárias da cidade, o responsável por aproximadamente 15% dos aluguéis contratados na cidade.
Segundo Guilherme Busch, proprietário de imobiliária em Bauru, a procura é tamanha que no momento até faltam imóveis adequados para atender esse público. “Não existe mais resistência por parte dos proprietários em alugar um imóvel para estudantes, que seguem regras de manutenção e comportamento pré-determinadas”, explica.
De olho na deficiência que a cidade apresenta em oferecer espaços adequados para receber os alunos que chegam todos os anos, algumas pessoas já começam a investir no mercado imobiliário voltado para os estudantes. Quem já está no ramo há algum tempo garante que o retorno é garantido.
Rosemeire Scriptore Monteiro é proprietária de dois prédios e sócia de um terceiro voltado para receber estudantes. Ao todo são 76 apartamentos, todos alugados. Por isso ela começou a investir na construção do quarto edifício, este com sete andares e mais 28 apartamentos. “Este ano tive muita procura e poucos apartamentos vagos para alugar”, justifica.
Milene Fernanda Camili, 23 anos, que está no quinto ano do curso de biologia, resolveu morar em Bauru depois de viajar durante dois. “Era muito cansativo viajar quase 150 quilômetros para ir e voltar todos os dias para a faculdade, agora é tudo mais tranqüilo e eu tenho mais tempo para estudar”, relata a ‘ex-moradora’ de Dois Córregos.
Camili divide o apartamento com a amiga Natália Galego e afirma que as duas se dão muito bem. “Depois de um certo tempo morando junto, a gente começa a reconhecer automaticamente o espaço da colega”, afirma.
Camili e Galego, além de viverem no mesmo apartamento, dividem as contas e as tarefas diárias, além de freqüentarem juntas as festas. “Para economizar a gente quase não sai para comer fora, fazemos o almoço e jantar todos dias e a gente cozinha muito bem”, garante Camili.
Sair de casa para morar longe dos pais, sozinho ou com colegas em repúblicas, cada vez mais é recomendado para que os jovens desenvolvam senso de responsabilidade, algo que os irá acompanhar a vida toda. É nisto que acredita o casal Heitor Gonçalves Martini e Denise Cristina Bolan Martini, que vivem em Jaú e mantêm dois dos três filhos estudando em faculdades e cidades diferentes.
“O Rodrigo cursa medicina há três anos e desde o início divide o apartamento com outros dois colegas da faculdade em São Paulo. Já Beatriz, cursa há um ano odontologia em Bauru e divide o apartamento com outra colega que conheceu na faculdade”, conta. A filha mais nova, Éllen, ainda cursa o ensino médio, mas sabe que não terá dificuldades para fazer as malas e sair de casa para cursar o jornalismo que tanto deseja.