Política

Ministro combate ‘cultura dos hospitais’

Por Fábio Zambeli | Da APJ - Especial para o JC
| Tempo de leitura: 2 min

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão (PMDB-RJ), trabalha para retirar do imaginário dos agentes políticos a ideia de que a ampliação de rede física seja sinônimo de qualidade de vida e alta resolutividade de problemas sanitários.

Ele defende que os prefeitos façam investimentos em atenção primária em detrimento da construção de hospitais. “Existe uma atração grande do gestor em construir. Constrói e muitas vezes não tem dinheiro para manter”, afirma.

Em entrevista exclusiva à Associação Paulista de Jornais (APJ), Temporão fala sobre a obsessão “predial” das administrações municipais e explica o foco da campanha para Carnaval 2009, que está nas ruas: o sexo para mulheres acima de 40 anos.

Há duas semanas, o ministro da Saúde superou o recorde de atendimentos a pleitos de lideranças políticas: ele chegou a recepcionar em seu gabinete 60 prefeitos em um só dia.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

Associação Paulista de Jornais - Qual é o foco da campanha de prevenção no Carnaval neste ano?

José Gomes Temporão - A campanha de Carnaval é sobre o sexo e a terceira idade. Tem como foco as mulheres acima de 40 anos. Como nós fizemos em dezembro uma campanha sobre os homens acima de 40 anos.

APJ - Por que a escolha deste tema? Há alguma estatística alarmante?

Temporão - Nos últimos dez anos, dobrou a incidência de aids entre mulheres acima de 40 anos. As pessoas não estão se protegendo, mas continuam fazendo sexo. Então, o foco é a mulher madura, pregando o sexo seguro e, especialmente, o uso da camisinha.

APJ - E as outras dicas aos foliões?

Temporão - Não bobear em relação ao sexo seguro. E a questão também do consumo de álcool. A bebida faz parte da festa, mas queremos que ela não seja sinônimo de dor, de violência. Até um copo de cerveja interfere nos reflexos, pela Lei Seca.

APJ - O que o senhor pretende dizer aos prefeitos que assumem mandatos agora? Qual o recado neste momento do governo?

Temporão - Vou apresentar uma série de projetos que o ministério está trabalhando, mas tem um recado importante que a gente quer dar. Não confundir saúde com hospital.

APJ - É uma obsessão pela rede física?

Temporão - Existe uma atração muito grande do gestor de construir hospitais. Constrói-se um hospital, mas não tem dinheiro para mantê-lo depois. Não tem relação nenhuma entre a presença de hospital e qualidade de vida e indicadores de saúde.

APJ - E qual a melhor aposta a ser feita pelos prefeitos?

Temporão - Todos os prefeitos têm que investir numa atenção primária de qualidade. Isso dá resultado. Pelo menos 85% dos problemas de saúde se resolvem com uma rede assistencial com ênfase na promoção de saúde, prevenção, trabalhar com as escolas, mobilizar a população, trabalhar com informação. O hospital tem o seu lugar, mas não pode ser o foco do sistema. Eu vou trabalhar um pouco isso com os prefeitos.

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