O Carnaval baiano serviu para comprovar que Ivete Sangalo continua sendo o maior fenômeno pop do Brasil. Anteontem, a cantora começou seu desfile pelo Circuito Dodô (Barra-Ondina), o seu primeiro nesta edição da folia soteropolitana, ainda durante a tarde. A luz do sol fez ressaltar alguns detalhes que a rainha do Carnaval preparou para este ano. As ferragens dos instrumentos dos músicos, por exemplo, foram todas banhadas a ouro - bem como o microfone da cantora. “Um luxo, né?”, divertia-se Ivete.
A cantora surgiu para comandar o bloco Cerveja & Cia em um vestido branco esvoaçante. Na cabeça, uma tiara de moedas douradas. Nos pés, sandálias estilo gladiador, também douradas, para reforçar a imagem de diva.
Segundo ela, a fantasia presta uma homenagem às deusas gregas. “Este ano, vou bancar a deusa do Carnaval”, brinca, para depois revelar que nos próximos desfiles, de domingo a terça, se veste como outras deusas - do Egito (ontem), da África e da Índia. Tudo para reforçar o foco dos trabalhos durante a folia, a música “Cadê Dalila?”, de Carlinhos Brown e Alain Tavares, forte candidata a hit do verão baiano. A cantora ainda recebeu o vocalista do Jota Quest, Rogério Flausino, para uma participação especial em seu desfile.
O novo trio de Ivete, o Demolidor 3, construído depois de investimentos de R$ 2,5 milhões, mostrou a que veio: a diferença, com relação à maioria dos outros trios em termos de potência e qualidade de som, é perceptível.
O fim da tarde ainda reservou muita animação aos foliões de Salvador. Logo depois de Ivete, vieram ao circuito duas das mais badaladas bandas da chamada axé music - e, para muitos, as que mais têm seguidores no País: Chiclete com Banana e Asa de Águia. Um verdadeiro arrastão - do bem - tomou conta do circuito, dentro e fora das cordas, a ponto de a avenida ficar relativamente vazia após a passagem das estrelas.
A noite, porém, estava apenas começando - e, pela programação, ainda prometia muito. Daniela Mercury, por exemplo, também faz sua estreia no circuito esta noite, comandando o Trio Eletrônico - bloco independente (sem cordas), responsável por algumas das principais inovações dos últimos anos do carnaval baiano, que completa dez anos nesta edição da folia.
Além dela, são bastante aguardados dois eventos: a primeira saída do ano do bloco afro Ilê Ayiê, do Curuzu, em direção ao Circuito Osmar (Campo Grande) e o retorno dos Novos Baianos, que voltam a tocar juntos em um trio elétrico depois de 25 anos.
Dez anos do Trio Eletrônico
Um dos momentos mais emocionantes do Carnaval baiano até agora foi protagonizado pela cantora Daniela Mercury, quando passou na frente de seu camarote a bordo do bloco independente (sem cordas) Trio Eletrônico, que comemora dez anos nesta edição da folia. A cantora baiana, homenageando o centenário de nascimento de Carmen Miranda, fez um “dueto”, em “O que é que a Baiana Tem”, com a homenageada.
O “encontro” foi promovido pelo DJ Patife - que se apresenta junto com Daniela -, que mixou a voz de Carmen para compor o dueto. A apresentação, acompanhada de um grupo de dança, em cima do trio, arrancou aplausos dos foliões do camarote e do bloco. Quem também acompanha a cantora é Margareth Menezes, co-autora, com Daniela, de um dos fortes candidatos a hit do verão baiano, “Oyá por Nós”.
Camille Paglia
Na pista do Circuito Dodô (Barra-Ondina) passaram, desde a tarde de sexta-feira, artistas consagrados na axé music, como Chiclete com Banana. Nos principais camarotes, dezenas de atores, apresentadores e políticos atraíam os olhares de grupos de foliões. O grande evento da segunda noite da folia baiana, porém, foi a chegada de Daniela Mercury a seu camarote, acompanhada pela pensadora norte-americana Camille Paglia.
Ambas se conheceram pessoalmente ontem, depois de alguns meses de troca de correspondência eletrônica. A anfitriã parou o movimento no local. Camile, que recentemente comparou Daniela a Madonna, passeou um pouco pelas ruas dos arredores dos circuitos e passou o tempo todo exibindo um vistoso sorriso no camarote. “Estou adorando!”