Jerusalém - O líder do partido direitista Likud, Binyamin Netanyahu, disse ontem que não admitirá intimidações para chegar a um gabinete de unidade com o Kadima, da chanceler Tzipi Livni. O político fez as declarações antes de se reunir com Livni para negociar sua entrada em um governo de coalizão integrado pelos dois partidos mais votados nas eleições do último dia 10.
“A unidade pode ser obtida por meio do diálogo, e não de ordens e quedas-de-braço. Não tenho nenhuma dúvida de que quem estiver interessado no bem do Estado porá a unidade como objetivo. É preciso fazer uma tentativa real para que se chegue a uma posição conjunta a partir do respeito mútuo e do diálogo autêntico”, declarou.
Netanyahu foi convidado pelo presidente Shimon Peres para assumir como primeiro-ministro no último dia 20. A escolha foi baseada nos apoios que “Bibi” conseguiu depois da derrota apertada nas eleições. Nas urnas, a diferença entre o Likud e o Kadima foi de apenas uma cadeira. Agora, Netanyahu terá seis semanas para formar uma equipe de governo.
Peres escolheu Netanyahu para a tarefa por ver que ele tinha mais apoio político, embora seu partido tenha eleito 27 deputados, um a menos que a legenda de Livni. Juntos, Likud e Kadima somariam 55 legisladores, por isso precisariam do apoio de outros grupos políticos, como o Partido Trabalhista (13 cadeiras), o ultranacionalista Yisrael Beiteinu (15) ou o ultraortodoxo Shas (11), para ser maioria no Parlamento israelense, que tem 120 assentos.
Para tentar convencer Livni, que declarou que iria para a oposição, Netanyahu oferecerá um acordo de “plena cooperação” e a redação conjunta das diretrizes de ação do novo governo, segundo informações do jornal “Haaretz”.
O líder do Likud, quem já foi primeiro-ministro de Israel entre 1996 e 1999, também oferecerá à atual chefe da diplomacia dois ministérios de peso para seu partido, a escolher entre Defesa, Finanças e Relações Exteriores, além de outros de menor importância.
Líderes do Kadima disseram, no entanto, que só entrarão no governo se Netanyahu aceitar um rodízio à frente do Executivo, como fizeram na década de 1980 os então líderes trabalhista, Shimon Peres, e do Likud, Yitzhak Shamir. O rodízio de primeiros-ministros “é a única maneira de garantir um Governo estável que dure quatro anos”, disse ontem o ministro de Segurança Pública, Avi Dichter.
____________________
Gaza
Riad - Os países árabes do Golfo propuseram ontem um plano conjunto de ajuda para reconstruir a Faixa de Gaza. O tamanho do financiamento não foi divulgados, mas uma autoridade da região afirmou que a Arábia Saudita e o Catar prometeram US$ 1,25 bilhão.
O plano é colocar a ajuda de doadores árabes sob a gestão conjunta de um comitê composto pelos colaboradores e pelo Banco de Desenvolvimento Islâmico, com base na Arábia Saudita, disseram ministros num comunicado, depois de reunião em Riad, Capital saudita.
“O objetivo é que esse programa seja implementado rapidamente (...) e que também responda às necessidades dos palestinos em Gaza o mais cedo possível”, afirmou a jornalistas o ministro interino das Relações Exteriores de Omã, Yusuf bin Alawi bin Abdullah.
A recente ofensiva israelense à Faixa de Gaza criou novas divisões entre os árabes. De um lado, ficaram Arábia Saudita, Egito e aliados. De outro, Catar, Irã, Síria e aliados.
O Catar foi sede de uma conferência de apoio a Gaza, com líderes do Irã, Síria e do Hamas. O país suspendeu seus laços com Israel e pediu a retirada da iniciativa de paz árabe, proposta em 2002, ação patrocinada pela Arábia Saudita.
De acordo com o plano conjunto, um escritório deve ser aberto em Gaza para facilitar a execução dos projetos e a entrada do material para reconstrução da região.