Internacional

UE defende maior controle de mercados

Gernot Heller e Noah Barkin
| Tempo de leitura: 2 min

Berlim - Líderes europeus defenderam ontem a possibilidade de sanções duras contra paraísos fiscais e uma regulação mais rigorosa para os fundos de hedge, como parte de uma grande revisão das regras financeiras com o objetivo de prevenir futuras quebras de mercados.

A chanceler alemã, Angela Merkel, convidou colegas da União Européia (UE) para um encontro de um dia em Berlim, para definir posições comuns antes da reunião no dia 2 de abril, em Londres, do G20 - grupo dos países ricos e dos principais países em desenvolvimento.

Os europeus concordaram que os fundos do Fundo Monetário Internacional (FMI) devem ser dobrados. Eles acham que o Fórum de Estabilidade Financeira precisa ter o seu papel de supervisão fortalecido e deve ser ampliado para incluir países emergentes. O fórum foi criado por países ricos depois da crise financeira asiática dos anos 1990.

Desde a realização em novembro, em Washington, do primeiro encontro do G20 sobre reformas no sistema financeiro mundial, as recessões na Europa e nos Estados Unidos se aprofundaram e levaram governos a implementar pacotes de incentivo. Esses planos geram temores de uma possível volta das políticas protecionistas.

“Estamos lidando com uma crise internacional extraordinária, como não vemos há décadas, tanto em relação aos mercados financeiros quanto à economia global”, disse Angela Merkel aos jornalistas depois da reunião em Berlim.

“Avaliamos que uma crise como essa só pode ser resolvida conjuntamente”, afirmou ela, ao lado de líderes da Grã-Bretanha, da França, Itália, Espanha, Holanda, República Checa e Luxemburgo, além do líder da Comissão Européia.

Os países europeus terão que ganhar o apoio da nova administração dos Estados Unidos e também de economias como as da China e a Rússia para avançar com os seus planos.

Um resumo das conclusões da reunião de Berlim foi divulgado no fim do encontro. O documento apoia a supervisão de todos os mercados financeiros, numa linguagem um pouco mais forte do que as feitas na reunião do G20 em Washington.

“Destacamos hoje mais uma vez nossa convicção de que todos os mercados financeiros, produtos e participantes devem ser objetos de uma supervisão ou regulação apropriadas, não importando o país de domicílio”, afirma o resumo de Berlim.

O comunicado também diz que deve ser criada uma lista de paraísos fiscais, assim como uma “caixa de sanções” precisa ser elaborada o quanto antes. A Alemanha liderou um esforço para reprimir países como Liechtenstein e Suíça, depois de um escândalo de sonegação de impostos no ano passado envolvendo cidadãos alemães.

Os líderes europeus também se comprometeram a implementar medidas de estímulo e socorro financeiro de um jeito que “limite distorções competitivas ao mínimo absoluto”.

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