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Água suja e interrupção atingem 40 mil

Por Carlos Demarchi | Colaborou Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

O desbarrancamento de terra no reservatório do Instituto Penal Agrícola (IPA), durante a noite de sábado, trouxe problemas para vários bairros da zona noroeste da cidade neste início de semana. Anteontem, o poço parou de puxar água. Resultado: as torneiras trouxeram água barrenta, com pouca condição de uso, ou os bairros ficaram sem abastecimento, o que irritou muitos moradores.

Funcionários do Departamento de Água e Esgoto (DAE) foram acionados para resolver a situação. A falta d’água também atingiu moradores da região sudeste. A expectativa é que cerca de 40 mil bauruenses tiveram problemas com o abastecimento neste Carnaval, até a noite de ontem.

A cor turva do líquido foi constatada em diversos bairros da cidade, como o Jardim Vânia Maria, Parque Jaraguá, Parque Santa Edwiges, Jardim Rosa Branca, Jardim Bela Vista, Jardim Petrópolis e Jardim Alto Alegre, entre outros. A população teve de buscar saídas, como comprar água para beber e preparar as refeições, por exemplo. Depois das torneiras soltarem água com uma cor escura, houve falta de abastecimento nos bairros.

A auxiliar de cozinha Eliane Cristina Marcolino reclamou que estava sem abastecimento em casa. “Cheguei do serviço e não tinha água nem para beber. Não dá para fazer comida nem tomar banho”, conta. Segundo Marcolino, durante a madrugada de ontem, havia um pouco de água nas torneiras, mas voltou a faltar nos horários de maior necessidade.

O segurança Anderson Aparecido Pinheiro buscou limpar a caixa d’água após recomendação do DAE. Mas a atitude causou um outro transtorno: a caixa esvaziou e não havia mais abastecimento. Para amenizar o problema, o rapaz buscou quatro tambores de 50 litros na residência de um parente, no Aimorés. “A orientação era para que a gente fechasse o cavalete para esgotar e tirar a água suja. Ela voltou por 40 minutos e secou novamente”, relatou.

Residente no Jardim Rosa Branca, a dona de casa Marly Pinheiro Zorzi disse que a cor turva da água apareceu no sábado. Com o tanque cheio de líquido sujo, ela contou que, desde cedo, quando acordou, não sabia o que fazer diante da situação. “Não tem condições de fazer comida nem nada. Tive de comprar água no Vitória Régia, mas a maioria das pessoas ficou sem condições de cozinhar. E quem não pode comprar?”, questionou.

Quem também reclamou foi o técnico em telefonia Renato Alexandre Silva. Morador da rua Marieta França, no Jardim Vânia Maria, ele disse que o problema aconteceu pela segunda vez em 15 dias. “Anteontem à tarde, a água estava marrom e sujou de novo. Não se pode tomar banho”, disse.

A auxiliar administrativo Crislaine Maria da Silva também lamentou o fato de passar o domingo com a condição ruim. “Foi um transtorno. Temos que comprar água e uso deve ser bem maior com esse calor. Está muito barrenta e estamos fervendo para poder consumir”, explicou.

O JC foi até o poço de água do Instituto Penal Agrícola e constatou a cor turva da água. No local, a equipe de manutenção do DAE estava empenhada e fazia reparos para resolver o problema, que segundo o informado, aconteceu pela última vez em 1980.

Na tarde de ontem, a assessoria de imprensa do DAE afirma que os procedimentos para que a água voltasse a ficar limpa foram tomados. A empresa destacou que seria repassado água do reservatório do Núcleo Gasparini para o atendimento da região do Jardim Vânia Maria.

A expectativa é que o abastecimento seja normalizado durante o dia de hoje. O DAE também orientou aos moradores a poupar água.

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Região Sudeste

A constante interrupção do abastecimento no Jardim Carolina e Núcleo Bauru 22, na região sudeste da cidade, também irritou a população. Uma moradora do Jardim Carolina, que preferiu não se identificar, relata que, há vários dias, o fornecimento sofre interrupções. Por algum tempo, a água deixava de vir à noite. Nos últimos dias, as torneiras secavam já pela manhã. “Liguei três vezes para o DAE ontem (anteontem) e mais algumas vezes hoje (ontem) e, nas duas deram explicações diferentes”, relata. Ontem, a água apareceu à tarde, mas pouco depois das 19h30, o abastecimento foi interrompido novamente.

Eduardo dos Santos Gonçalves, morador do Bauru 22, também sofre com o problema. Ele conta que ligou ao atendimento do DAE na última sexta-feira e ontem, para questionar a interrupção no fornecimento. “Das duas vezes, me disseram que tinha sido um fusível queimado. Por que não resolvem o problema de vez ao invés de só trocar o fusível?”, questiona. De acordo com a assessoria de comunicação do DAE, a peça foi trocada no início da tarde. Técnicos da autarquia irão verificar o problema no reservatório que abastece a área.

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