A estrutura precária, a dificuldade de acesso a respostas por serviços públicos e a inabilitação de pelo menos 70 das 100 representações existentes motivaram a Câmara Municipal de Bauru a marcar para a próxima semana, no dia 3 de março, a realização de audiência pública em plenário para discutir a situação das associações de moradores. O encontro no plenário ainda terá data confirmada pela presidência da Casa de Leis.
Durante a sessão de ontem, a vereadora Chiara Ranieri (DEM) teve seu pedido de audiência pública para discutir o tema aceito pelos colegas. Ela pretende saber a real situação das associações de moradores e se alguma secretaria, como a do Bem-Estar Social (Sebes) ou a Secretaria das Administrações Regionais (Sear), possui algum controle de informações sobre as representações de bairros.
Por isso, a secretária Darnele Têndolo, da Sebes, e Cláudio Gomes, da Sear foram convidados para debater o assunto. Segundo a vereadora demista, existem cerca de 100 associações de moradores, mas apenas 30 estão legalizadas. Outro problema visto por Chiara é em relação aos representantes dessas associações que procuram o Legislativo para fazer pedidos. “Não sabemos se essa pessoa representa realmente a comunidade ou está fazendo um pedido individual”, afirmou.
Chiara disse ainda que é preciso regularizar as associações diante da administração pública. “Temos que decidir qual órgão da Prefeitura deverá ser responsável para saber a atuação das associações”, revelou.
Roque Ferreira (PT) também criticou o modo como as associações estão funcionando atualmente. “Absorveu tudo o que há de pior na política”, disse. “Essas associações representam apenas as pessoas que fazem parte dela”, emendou.
Já Roberval Sakai (PP) apontou atacou pela dificuldade física das lideranças de bairros. Ele mostrou, pela TV Câmara, que o centro comunitário do bairro Nova Esperança está abandonado e serve de abrigo para usuários de drogas. “Precisamos reformar o centro comunitário para que ele volte a funcionar novamente”.
No entanto, Chiara disse que “não é possível falar em centro comunitário sem falar antes em associação de moradores”. Roque disse também que as associações devem ser melhor organizadas. “Se não tiver projeto, o Executivo não vai fazer nada”, afirmou. “Não faz sentido recuperar os centros se não organizar as associações”.
Já Paulo Eduardo de Souza (PSB) afirmou que há necessidade de rever a parte legal das associações. “Tem gente também que fica muito tempo como presidente dessas entidades”, comentou.