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Começa a Campanha da Fraternidade

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Uma das principais reivindicações dos brasileiros, a segurança pública, será discutida nas próximas semanas durante a Campanha da Fraternidade (CF) de 2009. O projeto promovido anualmente pela Igreja Católica começou ontem, Quarta-feira de Cinzas, em todo o País. Em Bauru, a campanha terá abertura oficial no domingo, em missa celebrada na Catedral do Divino Espírito Santo. No dia 6, haverá solenidade na Câmara.

O tema deste ano foi definido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), acatando abaixo-assinado com cerca de 20 mil nomes feito pela Pastoral Carcerária em 2007. Para o padre Luiz Eduardo Monteiro Fontana, administrador diocesano, a segurança pública precisa ser avaliada em sua ótica positiva. “Quando abordamos este tema, temos o lado da cultura de morte. Quando falamos de segurança pública, não queremos salientar esse lado. Queremos a busca da cultura de vida”, ressalta.

Ele destaca que durante a campanha serão abordados e discutidos os efeitos da violência na comunidade. “E não só a violência física. Temos a violência estrutural. A desigualdade social, a impunidade, corrupção, o foro privilegiado. Tudo isso também é violência”, destaca.

Para o padre Fontana, a importância da CF 2009 é a busca por soluções. “Não como algo que devemos esperar do Estado. Mas através de um trabalho efetivo de cidadania, sob as luzes do reino de Deus. A grande proposta de Jesus é a paz, que vem da fraternidade, da partilha e do amor ao próximo”, afirma.

Gérson Luiz Alves Pinheiro, coordenador da CF na Diocese de Bauru, destaca que desde ontem o tema já é discutido nas celebrações. “Hoje (ontem), todas as paróquias fazem a abertura da campanha, já mostrando o tema à comunidade”, explica. Antes disso, houve todo um processo de preparação, com formação de lideranças e multiplicação dentro das paróquias.

“Agora, o momento é o de suscitar o debate. Analisar os pontos de vista e entender a segurança pública sob outra ótica”, avalia Pinheiro. Sob a situação da criminalidade em Bauru, o coordenador destaca que é preciso estudar o aumento de alguns índices. Entre os pontos destacados, está a mudança do regime prisional das penitenciárias da cidade. “As famílias destes encarceirados vieram, se instalaram no cinturão de pobreza que existe em torno de Bauru e geraram uma demanda social muito grande. E o Estado não ofereceu contrapartida nenhuma quando mudou s penitenciárias”, pondera.

Outro questionamento de Pinheiro é quanto às universidades de Bauru. Ele acredita que a cidade poderia utilizar melhor os serviços oferecidos pelas instituições de ensino superior. “Precisamos canalizar melhor esse material humano. Somos berço de grandes profissionais e é possível utilizar esse material humano”, avalia.

Pinheiro também elogia o envolvimento da cidade na CF. No dia 6, por exemplo, haverá a apresentação do tema na Câmara. “O pastor Luiz (presidente do Legislativo) nos acolheu com muita seriedade. A discussão independe de credo, partido político e esse encontro na Câmara será muito positivo”, acredita.

Dentro da programação diocesana ainda está previsto um debate sobre o assunto na OAB Bauru, em data a ser confirmada.

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