Embora se trate de uma prática criminosa bastante conhecida, o golpe do seqüestro fez mais uma vítima em Bauru, na manhã de ontem. Ao ser convencida, por telefone, de que sua filha estava em poder de supostos “seqüestradores”, uma mulher de 53 anos acabou perdendo R$ 5 mil.
De acordo com o registrado em boletim de ocorrência, a vítima estava em sua residência, localizada na Vila Cardia, quando recebeu a primeira ligação, por volta das 10h30. Do outro lado da linha, uma voz masculina informava que havia seqüestrado uma de suas filhas, que estuda em Marília, além de outras duas amigas de faculdade.
Como o golpista identificou a menina pelo nome, a mãe ficou desesperada. Em seguida, pelo menos outros três homens assumiram o diálogo ao telefone para negociar o valor do “resgate”, que foi fixado em R$ 10 mil.
As conversações se mantiveram por longas três horas. Mesmo com tempo, a mulher não conseguiu se acalmar, foi até o banco e depositou R$ 5 mil em uma conta corrente indicada pelos criminosos. O valor foi sacado imediatamente em uma agência localizada no Rio de Janeiro.
Ainda acreditando no seqüestro de sua filha, a vítima tentou sacar os R$ 5 mil restantes, mas seu nervosismo foi percebido pela gerente da instituição financeira. Nesse instante, a mulher acabou revelando o que ocorria e pediu ajuda à polícia. Momentos depois, conseguiu conversar com a filha, através do celular. A menina, surpresa, afirmou à mãe que ela e as duas amigas estavam bem.
Em depoimento no Plantão Policial, a mulher informou as placas de um Ford Courier que rondava sua casa na manhã de ontem. Assim como o proprietário do veículo, a Polícia Civil irá investigar se o titular da conta indicada pelos estelionatários também fazia parte do esquema criminoso.
De acordo com o delegado plantonista Roberto Cabral Medeiros, ocorrências desta natureza se tornaram raras, justamente porque foram muito praticadas nos últimos anos e se tornaram conhecidas pela população. Mesmo assim, ele orienta sobre o modo de agir dos golpistas e como se deve reagir. “Muitas vezes, primeiro o estelionatário liga para o parente que será ‘seqüestrado’, dizendo que ele precisa desligar o telefone celular para fins de manutenção da operadora. Em seguida, liga para a vítima, que não vai conseguir falar com o parente, e aplica o golpe”, detalha.
Diante de uma situação como essa, a recomendação, segundo ele, é tentar manter a calma e nunca realizar qualquer depósito em conta corrente de desconhecidos. “A gente sabe que o desespero é grande nessa hora. Mas é importante conseguir localizar, o mais rápido possível, o parente supostamente seqüestrado”, alerta.