Eleita como prioridade na gestão de Rodrigo Agostinho, a pavimentação nunca foi tão desejada por moradores de bairros como Pousada da Esperança e Jardim Silvestre como neste início de ano. Muitos deles mal conseguem transitar a pé por ruas de terra, tomadas por crateras. Não são poucos os que admitem ter caído dentro delas especialmente em dias de chuva, quando as águas arrastam chinelos e sapatos de pedestres.
Maria do Carmo Martins Gomes já enfrentou a situação ao transitar pela rua Vasco Pampermayer, no Pousada da Esperança. “Eu votei no Rodrigo e esperamos que ele faça alguma coisa. Se não fizer, vou reunir umas comadres e iremos à prefeitura conversar com ele”, comenta. De acordo com ela, a situação da via é tão problemática que dificultou a remoção do corpo de um vizinho, morto por circunstâncias naturais.
Ele vivia num imóvel quase em frente ao de João Manoel Araújo, que há 40 dias está impossibilitado de colocar o carro na própria garagem. Para piorar, despejaram na rua uma caçamba de entulho que desvia o fluxo da água da chuva para dentro da casa dele. Durante o Carnaval, outra residência situada na quadra 1 da rua Joaquim Gonçalves Soriano também foi inundada em virtude da ausência de infra-estrutura do bairro.
“Não dá nem para dormir. Passamos a noite guardando os carros que ficam aqui na rua (porque os moradores não conseguem estacioná-los na garagem)”, comenta Neuza Maria Barbosa, já cansada de limpar a lama que invade a área de sua casa.
Erosão
É ainda mais sério o problema no cruzamento das ruas Vasco Pampermayer com a Capitão Orlando Pedro Demoro. Uma grande erosão avança a cada chuva. Atualmente, já coloca em risco um poste de energia elétrica.
“Meu filho já entrou (na erosão). Várias crianças entraram, até uma ser soterrada”, comenta a moradora Adriana de Souza Santos, preocupada com a situação. De acordo com todos os entrevistados, os problemas não são recentes. Existem bem antes do Carnaval, como no Jardim Silvestre. Por pouco a reportagem não flagra a queda de uma senhora que subia a rua Florinda Ferreira Rabello. O gráfico Fábio Costa, por exemplo, há mais de um mês deixa seu veículo na casa da mãe, no Beija Flor, porque não consegue transitar motorizado pela rua.
A Secretaria de Obras, no entanto, não informou a data específica em que o endereço dele será “visitado”. Mas, via assessoria de imprensa, esclarece que enfrenta o problema de falta de máquinas para executar todas as solicitações do município. A dificuldade, porém, vem sendo contornada (leia abaixo). As máquinas já estão em processo de manutenção. Enquanto isso, em virtude das últimas chuvas, as equipes foram distribuídas por outras regiões da cidade com o objetivo de atender ocorrências de emergência.
Ainda segundo a Secretaria Municipal de Obras, sempre que possível, serviços de reparos de ruas no Pousada da Esperança são realizados, como ocorreu na última semana. A prioridade para o atendimento emergencial são as vias de grande fluxo, por onde transitam veículos de transporte coletivo e escolar, e ligações entre bairros e áreas de risco, principalmente aquelas que apresentem problemas de erosão, como Parque Roosevelt e Parque Viaduto.
“À medida em que ocorrer a normalização dos equipamentos e melhoria das condições climáticas, a secretaria deverá acelerar o ritmo de trabalho empregado, incluindo as vias citadas na reportagem”, conclui nota da assessoria de imprensa.
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Duas máquinas
A Secretaria Municipal de Obras tem apenas duas máquinas para atender todas as reivindicações, confirma o titular da pasta Eliseu Areco Neto. Porém, mesmo com a falta de maquinário, a secretaria mantém obras de terraplanagem para recuperação de ruas de terra.
Os servidores trabalharam ontem no Parque Paulista e Vila Alto Paraíso. Segundo Areco Neto, as frentes de trabalho com as equipes de terraplanagem e pavimentação continuarão hoje atuando nos mesmos locais. Se o tempo estiver bom, os trabalhos serão concluídos.
O secretário ainda acrescenta que os servidores fizeram plantão no último sábado em bairros como o José Regino. Por conta da situação, já está tramitando pelo Palácio das Cerejeiras o processo que tem como finalidade contratar horas de maquinário para a execução de serviços.
Para evitar que os problemas se repitam em 2010, Areco já estuda um plano de prevenção para o próximo ano. Ele fará uma revisão do quadro de funcionários e checará a necessidade de novas contratações, por exemplo.