Punta del Leste - O navio Costa Romantica, com 1.479 passageiros (dos quais 338 brasileiros), sofreu um incêndio na noite de anteontem, passou 18 horas sem energia e mais de 22 horas ancorado a cerca de 13 quilômetros da costa do Uruguai, perto de Punta del Este.
Passageiros relatam que, quando começou o fogo, muitos entraram em pânico. Boa parte deles teve de passar todo o tempo comendo apenas sanduíches -sem energia, a cozinha parou. Não havia água nos banheiros nem ar-condicionado. “Meu filho de cinco anos não está comendo nada”, reclamava a produtora cultural Gisela Lopes.
O fogo foi provocado por uma pane nos geradores elétricos e provocou fumaça, causou blecaute no navio -que saiu do Rio na segunda e chegaria ontem a Buenos Aires - e levou pânico aos passageiros. Foram necessários 40 minutos para apagar as chamas
Com os geradores desligados, foram acionadas as luzes de emergência. A energia só voltou por volta das 17h ontem.
“Fazia calor e não havia ar-condicionado. Passamos a noite no convés e na piscina’’, diz o engenheiro Márcio Tadeu Florêncio da Silva. Cercado por amigos, primos e a mulher (eram dez conhecidos, ao todo), ele continuava, após horas seguidas, fora da cabine -dentro, diz, “o cheiro dos banheiros era tão insuportável que ninguém conseguia voltar para dormir’’. Silva conta que o navio ficou parado desde as 20h50 de anteontem, quando teria começado o incêndio. O pior, segundo passageiros (além do calor e da falta de banheiros), foi a ausência de refeições. Alguns dizem que, desde o jantar - servido antes do incidente-, até ao menos as 16h de ontem (quase 20 horas depois), só havia sanduíches. Após 22h25 parado, a empresa informou que o gerador foi consertado. Os passageiros foram levados a hotéis de Punta del Este e de Montevidéu.
O episódio foi marcado pela lentidão na atuação das autoridades navais e da Repremar Shipping Services, representante legal da embarcação no Uruguai. A empresa pediu desculpas aos passageiros e assegurou reembolso equivalente a dois dias de cruzeiro (com base no preço pago pelo passageiro), além de um crédito de 20% sobre o preço pago em algum cruzeiro da companhia.