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Inadimplência de consumidores é a maior desde 2002

Fabio Graner e Fernando Nakagawa
| Tempo de leitura: 4 min

A inadimplência no crédito concedido pelas instituições financeiras subiu de 4,4% em dezembro de 2008 para 4,6% em janeiro deste ano, de acordo com dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC). Esse é o maior nível registrado desde agosto de 2007, quando a inadimplência média ficou em 4,7%.

O aumento foi liderado pelo segmento das pessoas físicas, cuja parcela das operações com atraso superior a 90 dias subiu de 8% para 8,3%. Segundo as séries históricas do BC, esse é o maior nível de inadimplência com operações de pessoas físicas desde maio de 2002, quando o percentual era de 8,4%.

No segmento pessoas jurídicas, a inadimplência subiu de 1,8% para 2%, atingindo o maior patamar desde novembro de 2007, quando estava em 2,2%.

A taxa de juros média do crédito com recursos livres caiu em janeiro para 42,4% ao ano, ante 43,3% em dezembro. Essa redução foi determinada, basicamente, pelo segmento pessoa física, em que a taxa de juros média passou de 58,1% ao ano em dezembro para 55,1% em janeiro. No segmento pessoa jurídica, a taxa de juros média subiu de 30,7% para 31% ao ano.

O spread bancário (diferença entre a taxa de captação dos recursos pelo banco e a taxa final cobrada no empréstimo) teve uma queda geral de 0,3 ponto porcentual em relação a dezembro, atingindo 30,4 pontos porcentuais ao ano. O spread médio da pessoa física recuou de 45,2 pontos para 43,6 pontos. Já o spread médio da pessoa jurídica subiu de 18,4 pontos para 18,8 pontos porcentuais.

Medo

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, afirmou que a queda no spread médio cobrado nas operações de crédito para pessoa física ocorreu como reversão de um movimento “defensivo” das instituições realizado durante o início da fase aguda da crise.

Segundo ele, as instituições, temendo uma explosão da inadimplência, elevaram suas taxas nos primeiros meses da crise. Como esse cenário não se confirmou, os bancos em janeiro e também em fevereiro estão devolvendo parte desse movimento.

“Os bancos reduziram o spread porque fizeram um movimento defensivo antes, elevando substancialmente a taxa. Eles elevaram a taxa numa perspectiva de aumento mais forte da inadimplência, o que não se deu. O padrão de inadimplência hoje é mais alto, mas está dentro da normalidade. A partir dessa observação, instituições fizeram análise de risco e começaram a reduzir as taxas”, disse Altamir, para quem o movimento deve ser considerado “representativo”.

Ele destacou que a queda do spread foi acompanhada pelo total repasse do menor custo de captação dos bancos em janeiro. Altamir explicou que o aumento dos atrasos de pagamentos superiores a 90 dias em janeiro é “sazonal”, pois as famílias têm no mês um maior comprometimento da renda com pagamento de impostos e despesas escolares de filhos. “A inadimplência não explodiu”, afirmou.

O chefe do Depec explicou que o movimento de elevação dos atrasos de pagamento foi determinado pelo envelhecimento da carteira de financiamento de veículos. Isso porque, segundo ele, há uma migração desse tipo de financiamento para o leasing, cujos números não são apurados nas contas do Banco Central. Ou seja, o crescimento da carteira de veículos pelo crédito direto ao consumidor (CDC) é muito pequeno. Empréstimos novos tendem a reduzir a média de inadimplência.

Como esse movimento é fraco no CDC, a média tende a subir. A isso soma-se o fato de que empréstimos mais velhos têm risco maior de não-pagamento.

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Crédito

De acordo com os dados do Banco Central (BC), o estoque de crédito do sistema financeiro nacional cresceu 0,2% em janeiro, atingindo R$ 1,229 trilhão. Em dezembro, o saldo de operações de crédito era de R$ 1,227 trilhão. Com o resultado de janeiro, o crédito passou de 41,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em dezembro para 41,2% do PIB em janeiro.

As operações de crédito com recursos livres tiveram queda em janeiro de 0,2% totalizando R$ 870,3 bilhões. A queda foi determinada principalmente pelo segmento pessoa jurídica, cujo recuo do estoque de operações foi de 1,4%, para R$ 470,9 bilhões. No segmento pessoa física houve expansão de 1,3% do crédito, que alcançou R$ 399,4 bilhões.

O crédito com recursos direcionados cresceu em janeiro 1,1%, totalizando R$ 359,5 bilhões. No trimestre encerrado em janeiro, o crédito com recursos direcionados cresceu 7,1%, com destaque para as operações do BNDES, que tiveram alta de 8,7%. No segmento livre, o desempenho do trimestre foi bem mais fraco, com alta de 2,5%.

O prazo médio das operações de crédito recuou em janeiro para 375 dias corridos. Em dezembro, o prazo médio era de 379 dias e em outubro, de 385 dias. Nos últimos 12 meses, no entanto, o prazo médio está maior, já que janeiro do ano passado o indicador estava em 371 dias corridos.

Nas operações com pessoa física, o prazo médio passou de 490 para 484 dias de dezembro para janeiro. Nas pessoas jurídicas, o prazo recuou de 302 para 297, no mesmo período.

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